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Kingdom Come: Deliverance é um jogo desenvolvido pela Warhorse Studios e distribuído pela Deep Silver. Ele que foca em ser um RPG realista, com um sistema de combate inovador, equipamentos e localidades com precisão histórica, e missões que oferecem uma grande variedade de opções. A ideia principal do estúdio é trazer uma visão apaixonante da vida na Boêmia antiga, uma região histórica da Europa Central, que foi parte do Sacro Império Romano-Germânico, do Império Austríaco e do Império Austro-húngaro. Uma era que traz um forte tema medieval, que não cansa nunca os jogadores. Vale lembrar que tudo isso começou como um pequeno projeto no Kickstarter há quatro anos atrás.

Será que essa ideia ambiciosa de trazer tanto realismo, com um mundo aberto de opções conseguiu funcionar bem no jogo? Vamos descobrir nessa análise.

Uma história imersiva

Kingdom Come: Deliverance é um RPG com um impressionante mundo aberto, mas para dar vida à toda essa grandiosidade ele traz uma narrativa bem profunda baseada em história e mergulha de cabeça na Europa Medieval, na Boêmia do século 15. A população de todo o continente está em meio à uma guerra entre o Rei e seu irmão, que disputam a soberania e o poder, mas que destroem as aldeias e seus cidadãos no meio do caminho.

Nosso personagem é o carismático Henry, um rapaz que vive em uma cidade pacata e que é o filho do ferreiro. Ele vê sua vida simples e tranquila ser destruída quando as forças invasoras entram na aldeia e destroem tudo que encontram pela frente, o que leva à morte dos seus pais. Ele consegue fugir, com nada além da última espada que seu pai fez, e se junta às forças que buscam acabar com essa invasão. Henry parte para vingar a morte dos seus pais, assim como ajudar a parar a destruição que toma conta do continente e tentar subir na rígida hierarquia social da Europa medieval, para conseguir seu lugar nas tropas.

Essa é a grande sacada em relação ao protagonista, ele não é alguém superpoderoso ou um grande herói do seu povo, ele é um cara simples, que não sabe lutar e que não tem nada além da roupa do corpo, mas que é forçado a entrar nessa grande aventura.

As missões são muito bem interligadas e trazem um senso de progressão com um ritmo muito bom. Você percebe o crescimento e amadurecimento de Henry, conforme ele ajuda e interage com as outras pessoas, sejam elas simples caminhantes nas estradas, ou grandes líderes. Você consegue enxergar o simples filho do ferreiro, ganhando experiência de vida e achando o seu lugar no mundo. As missões secundárias também são ótimas, não apenas para mostrar essa jornada de Henry pelo desconhecido, mas também para mostrar a vida das pessoas, assim como o impacto da guerra no seu cotidiano. Elas são tão importantes quanto as principais, e ambas trazem a sensação de que você realmente está fazendo a diferença nas aldeias, cidades e no mundo.

As atividades no vasto mapa de Kingdom Come: Deliverance também foram muito bem pensadas, e elas mostram exatamente as limitações de Henry nesse mundo novo para ele, que sempre deve agir com cautela em todas as situações, pois um confronto pode ser fatal para ele. Você deve entregar recados nas cidades, investigar assassinatos, ajudar pessoas nas estradas e, claro, defender aldeias e participar de grandes e sangrentas batalhas. Todas as missões possuem múltiplas maneiras de serem resolvidas, com muitos caminhos opcionais, que cabem ao jogador explorar ou não.

Diálogos que fazem diferença e um mapa gigante para explorar

Quando a Warhorse Studios disse que os diálogos teriam peso na narrativa de Kingdom Come: Deliverance, eles não estavam de brincadeira. Além de serem ótimos de acompanhar, alguns desses diálogos possuem escolhas que irão impactar diretamente a progressão da história, e também a forma como as pessoas interagem com você.

O jogo possui um sistema de diálogo com status como Speech, Charisma e Strength, que você consegue melhorar conforme conversa e interage com outras pessoas. As estatísticas de Henry estão sempre visíveis, mas as estatísticas das outras pessoas geralmente não estão, principalmente inimigos ou pessoas com a qual você não possui muita intimidade. Você deve tentar usar o seu atributo mais forte para persuadir os outros, mas independente de dar certo ou não, o jogo abre um caminho para você, mesmo que seja ruim. Dependendo da sua escolha, você pode conseguir um aliado, iniciar uma batalha, ou até mesmo complicar ainda mais o seu caminho para finalizar uma missão, tendo que fazer ainda mais investigações por causa de uma resposta atravessada que deu para um NPC.

A forma como você é visto pelos outros, também influencia a sua reputação nas cidades, o que pode te trazer problemas com guardas e até mesmo para comprar itens com os vendedores. Então preste muita atenção nos diálogos e nas respostas que dará.

O mapa do jogo é imenso como já dissemos, e conforme nos encaminhamos para as missões novas atividades aparecem, mesmo que você esteja usando o sistema de fast travel, pois o deslocamento pelo mapa em Kingdom Come: Deliverance também tem um sistema bem peculiar. O mapa do jogo lembra muito um mapa da Era do Renascimento, tanto na forma como é apresentada sua geografia como nas ilustrações que possui. Ao ativar o fast travel, nosso personagem que é representado como uma peça de tabuleiro, se movimenta pelo mapa em tempo real, e pode até mesmo ser atacado ou ter que interagir com outras pessoas. O jogo mostra as estatísticas caso você deseje fugir de um ataque ou deseje investigar um acidente, algo realmente sensacional e dinâmico.

Algo que não deixou totalmente convencida sobre o jogo foi o seu sistema de salvamento, que só ocorre em quatro situações: ao terminar partes importantes de uma missão, ao dormir, ao pagar para ir em uma casa de banho ou ao beber a caríssima bebida Savior Schnapps. Entendo que isso cabe dentro da proposta de realismo do jogo, mas também prejudica quem não consegue jogar por muito tempo, tem que sair inesperadamente do jogo ou até mesmo seja prejudicado com problemas técnicos, como uma falta de luz ou crashes do jogo, por exemplo. A incapacidade de salvar seu progresso a qualquer momento, pode fazer você perder boas horas de progressão, o que pode ser frustrante. Eu mesma cheguei a perder 2 horas de progressão pois o jogo travou e ao reabrir não havia um save próximo de onde eu estava. O estúdio já anunciou que irá adicionar a opção de save rápido na próxima atualização.

Outro problema está relacionado com as missões. Muitas delas estão bugs realmente irritantes, como NPCs que você deveria interagir e não aparecem ou não estão com opção de interação. O jogo também terá uma atualização para corrigir isso, mas por enquanto segue com o problema.

Jogabilidade com o máximo de realismo e um sistema interessante de progressão

Kingdom Come: Deliverance é um jogo com mecânicas de RPG bem complexas, justamente por buscar ao máximo o realismo para dar aos jogadores a sensação real de uma experiência medieval. O jogo possui visão em primeira pessoa, sem opção para terceira pessoa.

O combate do jogo lembra muito o que foi apresentado pela Ubisoft em For Honor, onde o jogador precisa atacar e defender direcionado as suas ações, para atacar onde o inimigo está desprotegido, e se defender na posição certa de onde vem o ataque do seu adversário, mas aqui o sistema é um pouco mais lento. Como Henry nunca usou espadas ou escudos antes, tudo é novo para ele e isso tem impacto no gameplay, pois você precisa realmente treinar para poder saber atacar e se defender. Além disso, seus atributos de ataque, defesa e estamina só melhoram com a prática, assim como tudo no jogo. Não existe pontos de habilidade, você só melhora seus atributos usando eles. Esses atributos também podem ser melhorados com o uso de perks, que podem ajudar muito seu desempenho na aventura.

O combate é bem lento e difícil de pegar o jeito, com uma curva de aprendizado bem grande, mas caso não consiga se adaptar, você pode evitar os combates. Você pode até mesmo finalizar o jogo sem matar ninguém, depende da escolha de cada jogador, pois em Kingdom Come: Deliverance tudo é possível de acordo com as suas escolhas durante o gameplay.

O mesmo vale para o arco e flecha, que é bem rústico. Não existe ajuda de mira e você gasta estamina para atirar suas flechas. Quanto mais eliminar alvos com a arma, melhor será o seu desempenho com ela, podendo mirar por mais tempo e melhorar sua precisão.

O jogo também possui outras mecânicas como Arrombamento de baús e portas, além de Roubo. Mas como tudo em Kingdom Come: Deliverance, suas atividades possuem grande peso na sua narrativa e na maneira como as pessoas interagem com você, então essas mecânicas devem ser realizadas com cautela, caso você queira ver Henry entrar na vida do crime.

O Arrombamento de baús e portas (Lockpicking) é um verdadeiro inferno para ser feito nos controles, ficou claro que os desenvolvedores pensaram apenas no teclado e mouse, o que deixou a jogabilidade desse minigame nos consoles uma bagunça. Você deve procurar pelo ponto de tensão no cadeado e ir mexendo simultaneamente com as duas alavancas do controle. Isso é extremamente difícil e o resultado são muitas lockpicks quebradas, mesmo nas fechaduras mais fáceis. Claro que você pode melhorar suas habilidades de arrombamento, mais ainda assim o sistema permanece complicado. Os desenvolvedores reconhecem que não ficou bom para ser usado com Controles e já estão preparando uma atualização para melhorar isso.

Caso você seja pego durante um arrombamento, você será preso, perderá os itens roubados e ainda verá a sua reputação piorar muito com os moradores daquela cidade.

Outra atividade criminosa opcional em Kingdom Come: Deliverance é o Roubo (Pickpocketing). Você pode roubar outras pessoas, assim como furtar itens que estejam dentro das suas casas. Diferentemente do Arrombamento, esta habilidade não está disponível desde o começo, você precisa aprender com um NPC. No minigame você tem alguns segundos para tentar roubar uma pessoa antes que ela perceba e alerte os guardas. Caso não tenha sucesso, também verá sua reputação cair muito naquela cidade. A jogabilidade é melhor do que a vista com o arrombamento, sendo mais intuitiva de aprender. Quanto mais pessoas você furtar com sucesso mais habilidade terá com essa atividade.

Roubar itens nas casas é mais simples, basta ir lá e pegar, mas tenha muito cuidado ao circular com esses itens, pois os guardas podem suspeitar e resolverem te revistar, o que pode te levar para a prisão. Também tenha cuidado ao vender itens furtados, pois se o vendedor perceber pode alertar os guardas e o seu destino, mais uma vez, será a cadeia.

A Alquimia também está presente no mundo de Kingdom Come: Deliverance e ela é bem divertida. Nós devemos achar uma receita e segui-lá à risca, colocando os ingredientes com a mão e respeitando os tempos de cozimento e resfriamento da poção. Um trabalho manual que traz uma satisfação de sentir que realmente está criando algo, o que é tão interessante que realmente dá vontade de ficar um bom tempo na frente do caldeirão criando as poções.

E para prezar pelo realismo ao máximo, Henry sente fome, sono e cansaço, o que influencia diretamente a barra de vida e estamina do personagem, além de mudar a visão da câmera, que fica cada vez mais turva. Além disso, podemos ter indigestão se comer algo estragado, ficar extremamente bêbado e nem conseguir andar e enxergar direito. Você precisa até mesmo tomar banho para pode falar com certos NPCs. O que dizer então que você deve até mesmo aprender a ler? Já que Henry era filho de um ferreiro e raramente alguém assim soubesse ler, você terá que aprender para poder interagir com livros e documentos, e assim entender o que eles dizem.

Você também pode se locomover com o seu cavalo pelo mapa, ele possui uma jogabilidade fácil de dominar e ainda pode carregar seus itens, o que é bem válido para você não ficar pesado demais. O cavalo possui muitos bugs, e tem uns comportamentos bem estranhos, como ficar flutuando quando trava em alguns lugares. Uma clara homenagem ao querido Carpeado de The Witcher 3 (hahaha).

Gráficos e Som

Kingdom Come: Deliverance apresenta um aspecto gráfico quase que impecável, com ambientes internos e externos muito bem detalhados, sistema de iluminação impressionante tanto durante o dia quanto de noite, personagens bem modelados e que conseguem passar as emoções, além de um sistema de tempo dinâmico que ajuda a aumentar o senso de realidade das missões. O estúdio Warhorse fez um grande uso da CryEngine, que trouxe ainda mais vida para universo do jogo, e você vai se pegar muitas vezes parado, apenas observado as paisagens ou a vida cotidiana das pessoas. O grande destaque aqui ficou por conta das florestas, que são uma das mais densas, realistas e cheias de detalhes que já tive a oportunidade de ver.

Existem algumas texturas que demoram a carregar, mas é algo pouco recorrente e que não atrapalha a experiência geral com o jogo.

A trilha sonora funciona muito bem, que mistura temas mais suaves para a exploração e diálogos, com outros mais épicos e orquestrados para as batalhas. O compositor checo Jan Valta junto com Adam Sporka criaram canções que buscam trazer esse sentimento imersivo para que o jogador realmente se sinta na Era Medieval. A trilha sonora é interpretada pela Orquestra da Warhorse.

O trabalho de dublagem também está incrível e as vozes realmente combinam com os personagens e os atores conseguem trazem sentimento para as falas e os acontecimentos do jogo. Infelizmente, Kingdom Come: Deliverance não conta nem ao menos com legendas em português do Brasil, o que prejudica muito quem não tem um certo conhecimento do inglês, pois o jogo tem grande foco nos diálogos e o entendimento do que está acontecendo é fundamental. Uma boa fora muito grande, visto que o Brasil é um mercado muito grande para os games e a adição do idioma faria o jogo vender bem mais por aqui.

Opinião

Kingdom Come: Deliverance chega ao mercado com uma proposta ambiciosa de oferecer uma experiência realista dentro do tema medieval, e ao mesmo tempo ignorar a fantasia que geralmente vem junto com a temática. Ele traz um mundo complexo e bem elaborado, rico em missões, que não só desenvolvem a narrativa como também explora bem os seus personagens. O seu mapa também é vasto e com muito para se ser descoberto por aqueles que gostam de explorar.

Por outro lado, esse forte foco na realidade, deixando de lado magias e criaturas místicas, pode deixar o jogo aborrecido para alguns. Além disso, as mecânicas realistas e de sobrevivência, podem não agradar a quem curte um gameplay menos complexo.

O jogo sofre com as escolhas estranhas para a sua jogabilidade, como o seu combate um tanto quanto travado e mecânicas como Lockpicking, que é um desastre com controles. Ou o sistema de save, que também foi uma escolha de gosto duvidoso. Além disso, o jogo apresenta alguns bugs como travamentos e problemas de desempenho, como a demora em carregar algumas texturas. Isso sem falar na falta imperdoável de legendas em português, ainda mais em um jogo com um peso tão grande na sua narrativa.

Entretanto, no geral, Kingdom Come: Deliverance oferece uma experiência marcante e única, que certamente marca quem se aventura por ele. O jogo traz um ar fresco para o mercado, com o seu olhar apurado sobre a era medieval, e sua população em meio a uma guerra civil, dentro de uma história mais realista. Um jogo que, certamente, deve entrar na lista dos amantes de RPG e da temática medieval.

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About Author

Administradora de Empresas, mas apaixonada pelo mundo dos games e pelo Xbox!Fã da incrível e complexa franquia Halo e de seu icônico líder, o Master Chief. Também apaixonada por Dragon Age e seu universo magnífico. Ahhh e quem disse que Dark Souls não é divertido? :DSempre ligada nas notícias e novidades do lado verde da força!

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