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A demonstração do jogo anos atrás, surpreendeu muitos e deixou com gosto de ‘quero mais’. Após alguns adiamentos e outros problemas, o jogo foi perdendo esse gosto conquistado. Fãs da franquia aguardavam, enquanto outros já o davam como perdido. Qual seria o resultado após tanto tempo, deste despretensioso jogo?

Agente, acorda!

Crackdown 3 é o primeiro título da franquia para esta geração. Mesmo tendo um gostinho do primeiro Crackdown via retrocompatibilidade, seria a primeira vez que a franquia teria o brilho glorioso dos 4K e HDR. Quando eu digo que o jogo é despretensioso, é porque a Microsoft não ocupou grandes outdoors ou capas de revistas mundiais com ele. Crackdown continua sendo Crackdown, um jogo que surpreende quem espera por pouco.

A história do jogo aborda o capitalismo oportuno de uma grande e massiva corporação, que escraviza toda uma ilha em busca de seus recursos, para a produção de uma droga denominada Quimera. A história do jogo é toda em torno dessa corporação, Terranova, em busca dessa estranha substância. A Agência é chamada para averiguar apagões em grandes centros populacionais e descobre que a origem deles é Nova Providência, a cidade onde acontece o jogo. Após um ataque letal que derruba a aeronave da Agência, você é resgatado por milicianos que decidem se erguer contra essa corporação, e é assim que a base da história se forma. Tudo o que você precisa fazer é derrotar essa maligna corporação, indo membro por membro, até chegar na presidência.

Parece clichê e é. Você já deve ter visto essa mesma história em algum filme antigo ou ainda, algum jogo recente, de história rasa. Sim, a história é bem rasa. Não apresenta nenhum plot twist e, por mais que aconteça algo que eu não comentei aqui, você não será tomado por uma surpresa grande o suficiente para ficar pensando nela ou elaborando teorias da conspiração. Acontece que, a franquia Crackdown não é conhecida pela sua história ímpar. Crackdown 3 não vai muito longe disso e entrega uma história que apenas serve de base para o real propósito do jogo, no qual você vai se divertir bastante: a destruição desenfreada.

Step Up Your Boom

Jogar Crackdown 3 é um misto de “eu vou meter bala em geral” com “eu vou explodir tudo” e ainda com um pouco de “vou meter o socão mesmo“. O propósito do jogo é justamente este: lhe passar a ideia de que você pode fazer tudo, em nome da agência, para destruir o vilão malvadão. Tudo para causar o caos fica a sua disposição com fácil acesso, e você pode até mesmo determinar como invadir ou destruir algo. Se um atirador de elite te preocupa mas você não quer ir até ele, que tal jogar um carro? Se um robô muito grande está atrapalhando, o lança foguetes é a resposta. Ou você pode resolver tudo na porrada mesmo.

Em Crackdown 3 o absurdo para se criar o caos é tão grande, que você não tem diferença entre armas primárias, secundárias e terciárias, como visto em outros shooters. Neste jogo você pode carregar três armas de destruição em massa, sem problemas algum. Nada de ter uma pistolinha como primária. A minha primária era um lança granadas.

O jogo também abusa de outro método incomum em jogos de tiro em terceira pessoa, o plataforming. Alguns chefões ficam em arranha-céus e você precisa chegar lá em cima, para então enfrentá-los. No meio do caminho, durante sua subida, você enfrenta hordas e hordas de inimigos. Algumas partes me lembraram Recore, outro grande jogo exclusivo da Microsoft.

O jogo dispõe de facções e você, o Agente, é inimigo para todas elas. Entenda uma coisa: em Nova Providência, o inimigo é você. Apenas os milicianos vão te ajudar e, sinceramente, a ajuda deles não impacta em nada, e você terá de resolver tudo sozinho mesmo. Cada facção representa um braço controlado desta corporação e são elas: Logística, Indústria Segurança. Todas elas juntam compõe a corporação Terranova.

Há momentos no jogo que você não sabe nem mesmo de onde está vindo tanto tiro (em algumas situações, todas as facções se juntam pra te aniquilar). Não dá pra saber em quem mirar primeiro. É um pandemônio de balas, granadas e coisas explodindo que parece que o console vai travar… mas não, fique tranquilo. A performance do jogo é extremamente competente e até mesmo no meu Xbox One S (guerreiro) rodou liso o jogo.

Caso você ache chato ficar caminhando e pulando por aí, você ainda tem a opção de usar carros. Mas, vai por mim, é muito mais divertido ir pulando mesmo. Vai catando as orbes de agilidade pois assim você evolui seu personagem, que começa como um magrelo raquítico e termina um monstrão, tipo o Terry Crews. Sim, ele está no jogo.

Máquinas assassinas se aproximando

Saber que o Terry Crews está no jogo traz uma outra pergunta a sua mente, quase que imediata: ele está dublado com voz do Julius, o pai do Cris (de “Todo Mundo Odeia o Cris”)? Não, infelizmente. Porém, a dublagem está ótima e é um dos pontos fortes do jogo. Palavrões passaram e o jogo é bem abrasileirado, com algumas citações tão cotidianas, que, ao menos pra mim, soaram muito natural.

O som dos carros tem boa reprodução mesmo não sendo o foco do jogo. As armas apresentam diferenças sutis entre as de pequenos porte, já as armas mais explosivas, como lança granadas e lança foguetes, são mais bem reproduzidas.

Goodwin, o chefe da Agência, está presente no jogo e assim como nos títulos anteriores da franquia, ele passa dicas e resultados de chefes. Não tanto quanto antes, pois agora você tem ajuda de uma miliciana sedenta por justiça, a Echo. Ambos tem um trabalho de tradução e localização muito bem feito. Eles dois conversam contigo o tempo todo e em alguns momentos entre eles. A tradução e dublagem estão muito bem localizadas, o que te deixa mais tranquilo pra focar mesmo no jogo, uma vez que você entenderá perfeitamente bem o que eles estão conversando.

Jogo lindo, jogo feio, jogo lindo, jogo feio

Como eu já mencionei anteriormente, Crackdown continua sendo Crackdown. Aquele visual retrô da década de 80, fachadas em neon, luzes por todos os lados… que contrastam fortemente com o ambiente futurista que o jogo te situa. É uma mescla que funciona e já é conhecida da franquia. Aquele lance de “respeitar as raízes” funcionou muito para os gráficos. Eu não pude testar o HDR mas todos que puderam, me sinalizaram positivamente.

A parte que Crackdown 3 sofreu críticas massivas ao gráfico, foi no modo Wrecking Zone, chamado dentro do jogo de Zona de Demolição. Porém, isso tem uma explicação convincente. A real necessidade de tornar o mapa do multiplayer “feio” se dá pelo acesso e gameplay do jogo. Tornar os prédios mais arredondados, te dá uma noção de destruição maior, além de facilitar pro jogador se movimentar, pulando ou escalando, enquanto foge da mira do inimigo.

Acredite, se na campanha a sua preocupação é causar o caos, na Zona de Demolição é realmente destruir. O prédio ser feio só lhe dá mais motivos para derrubá-los. As cores do jogo pouco se aplicam aqui, aqueles neons todos… não. Aqui o seu foco é realmente derrubar coisas estando elas ocupadas ou não. Graficamente o jogo é mesmo bonito na campanha e propositalmente feio no multiplayer.

Zona de Demolição

O modo multiplayer de Crackdown 3 está separado do jogo principal. Você faz dois downloads diferentes e até mesmo as conquistas são diferentes. 1 mil pontos para a campanha e 500 pontos para o multiplayer. Sim, Crackdown 3 chega até você com 1.500 pontos de gamerscore. Mesmo sendo dois hubs diferentes, você não precisa sair de um para entrar no outro, dá pra fazer a mudança dentro deles.

O multiplayer no momento só ostenta duas formas de jogar: o modo Caçador de Agentes, onde você precisa capturar o maior números de distintivos para obter a vitória. Este distintivos você obtém matando os inimigos. Apenas matar não adianta, você tem apenas 10 segundos para capturar o distintivo e sem ele sua equipe não pontua. O outro modo é o Territórios, que consiste em dominar pontos do mapa, defendendo bases capturadas ou atacando bases inimigas. Nada novo sob o sol. Fora o acréscimo do modo Territórios, não houveram muitas alterações do teste técnico realizado anteriormente, com o qual fiz um rápida análise.

Ambos os modos se destacam pela destruição do cenário já que tudo pode ser literalmente derrubado ao chão.

Como já foi veiculado por nós aqui da Xbox Power, o jogo não suporta criação de party para jogar em equipes. É uma infeliz notícia, eu sei. Um jogo tão divertido quanto este deveria ser possível jogar com amigos. Joseph Staten, diretor criativo da Microsoft, lamentou a situação e disse que futuramente o recurso virá, na forma de alguma atualização futura. Confesso que, mesmo assim, o interessante da funcionalidade seria lançar agora. Um ponto muito negativo para o jogo.

Conclusões finais

Crackdown 3 é um jogo que lhe promete pouco e entrega muito. Levando em consideração os poucos modos do multiplayer e pela falta de opção de criar equipes, a Zona de Demolição pode não agradar tanto. É deveras divertido sim mas, sempre fica aquela leve vontade de jogar com um amigo. O modo é visceral e ao fim de toda partida bate o desejo de jogar em uma equipe de conhecidos.

Todavia, a campanha entrega total diversão e pode até mesmo ser jogada junto com um amigo. Dá pra jogar toda a campanha de forma solo e, quando convidado, trazer o seu Agente bombadão para jogar junto em outro mundo. Isso torna o jogo muito dinâmico. São pouquíssimos loadings que separam você da ação e, mesmo que você morra no modo campanha, o respawn é eficaz e rápido, que tão logo você já estará explodindo coisas novamente.

O uso do estilo plataforma dentro do jogo pode frustrar em determinados momentos mas, como todo bom jogo do gênero, você precisa antes calcular a distância e o tempo de pulo, por isso é tão importante caçar as benditas orbes verdes de agilidade, só assim você terá um Agente astuto e veloz. O jogo não é difícil de completar, nem mesmo oferece complexidade nos chefões de área, dá pra jogar tranquilamente no modo normal e até mesmo convidar um amigo para jogar junto. Apesar do uso de alguns palavrões, o jogo não o incomodará por seu uso excessivo.

Se ainda assim você se cansar, você pode encarar desafios de corridas com carros ou sobre prédios, numa espécie de parkour anabolizado.

Eu indico fortemente esse jogo para quem é assinante Xbox Game Pass. Vale pela diversão descompromissada, vale pela destruição completa do multiplayer, vale pelo cooperativo com algum amigo, vale até mesmo pelas conquistas, que na sua maioria são apenas recompensas de avanço no jogo e o restante coletáveis. Talvez você tenha mais trabalho com a conquista de zerar o jogo no modo Lendário. Nesse caso, jogue em cooperativo que as coisas facilitam.

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