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Quando Sea of Solitude foi anunciado na E3 de 2018, eu imediatamente me senti interessada pelo título, não só por ele apresentar um estilo gráfico belíssimo e uma trama que parecia interessante, mas também por ser do programa EA Originals, que já nos brindou com jogos muito bons como UnravelFe e A Way Out. O jogo do estúdio alemão Jo-Mei Games oferece uma experiência profunda e de autoconhecimento, abordando os efeitos da solidão no ser humano, onde estes efeitos serão transformados em monstros.

Seguimos a jornada de Kay, que está em busca de um caminho em sua vida, e então está enfrentando um mar de dúvidas, problemas familiares, e um relacionamento amoroso problemático. Enquanto a protagonista enfrenta seus monstros, nessa busca para voltar ao normal, pois ela também é um deles, também somos levados a uma reflexão sobre nosso relacionamento com as pessoas ao nosso redor, e como reagimos, ou não, ao que ocorre não apenas conosco, mas também com os outros.

Sea of Solitude não é sutil ao tocar no tema da solidão, mas justamente por isso ele consegue tocar no coração do jogador.

Enfrente seus medos, enfrente a solidão

Em Sea of Solitude acompanhamos a personagem Kay, que está passando por um momento difícil em sua vida, pois vive um sentimento de profunda solidão. Ela se enxerga como um monstro, e navega com seu barquinho por um cenário predominantemente inundado em busca de iluminar essa escuridão que vive dentro dela, e também enfrentar seus medos, que aqui são representados como monstros, que, assim como ela, também precisam de ajuda. Ela luta para vencer esses desafios e não ser engolida por eles.

Sem dar muitos detalhes da narrativa, pois é interessante que cada jogador tenha a surpresa e a emoção de cada revelação da vida de Kay, o jogo explora dois aspectos da vida da garota, sua vida com seus familiares e com seu namorado. Vemos que ela vive ao meio de uma família em frangalhos, pois seus pais vivem brigando e seu irmão mais novo passa por problemas graves de bullying, isso sem falar do término do namoro, que a fez cair em um mar de solidão ainda maior. Kay se sente responsável por tudo o que aconteceu com ela e os que estão ao seu redor, pois sente que poderia ao menos ter prestado mais atenção no acontecia com eles. Ela constantemente é chamada de egoísta durante a jornada, o que mostra um pouco de como ela mesma se enxerga. Um monstro egoísta.

Como disse na introdução dessa análise, Sea of Solitude não é sutil ao abordar seus temas, mas isso se faz necessário ao contar histórias tão pessoais, e que ocorrem com tantas pessoas ao redor do mundo. O jogo deixa claro que não tem como objetivo servir de tratamento para ninguém, mas que pretende apenar levantar o assunto das doenças mentais. O jogo não deixa histórias abertas para interpretação, o que é comum em jogos desse tipo, mas opta por ir direto ao ponto, o que também não deixa de ser interessante, e nos levar a uma reflexão.

Jogabilidade

Como já percebemos, Sea of Solitude é um jogo totalmente focado na sua narrativa e em passar uma mensagem poderosa para seu público, justamente por isso o jogo não apresenta mecânicas muito profundas ou avançadas de jogabilidade. Kay passa grande parte do tempo progredindo pelo mapa em seu barco, que tem controles fáceis de dominar. Já nas partes que a protagonista anda em solo, ela pode subir em algumas superfícies, usar um sinalizador para resolver puzzles e também saber qual caminho seguir, limpar a corrupção de algumas áreas e buscar por colecionáveis pelo mapa.

Apesar do mapa possuir alguns locais mais abertos para exploração, o jogo é essencialmente linear e conseguimos facilmente entender o que fazer para progredir na narrativa. Os puzzles também são bem simples e de fácil entendimento, não oferecendo desafio algum para o jogador. Os confrontos com os monstros de Kay também não evoluem para algo um pouco mais desafiador, o que me trouxe um sentimento de oportunidade perdida, pois seria interessante vivenciar de forma mais direta um combate contra esses sentimentos ruins, ou até mesmo puzzles mais inspirados.

Para aumentar um pouco a duração do seu título, que tem cerca de 3 horas de duração, a Jo-Mei Games adicionou alguns colecionáveis, que podem incentivar os que gostam de fazer 100% em um jogo. Uma pena que eles não acrescentam muito para a narrativa, nem mesmo as garrafas perdidas com mensagens para Kay.

Gráficos e Som

Sea of Solitude impressiona com seus belos cenários, seja representado o lado mais sombrio e pesado dos sentimentos de Kay e toda a expressividade dos seus monstros interiores, seja dando vida aos momentos que a personagem encontra a luz no meio de tanta solidão, o que é retratado com uma explosão de cores que toma conta da tela. É impressionante como os desenvolvedores conseguiram usar tão bem os cenários, cores e as transições de ambientes para compor a narrativa e deixá-la ainda mais tocante.

E se visualmente o jogo oferece uma bela experiência, o mesmo se pode dizer da sua parte sonora. As trilhas escolhidas para cada parte se encaixam com perfeição e aumentam ainda mais a carga emocional da jornada de Kay. As vozes escolhidas para cada personagem se encaixam muito bem e conseguem passar o sentimento de cada frase. Infelizmente o jogo não possui legendas em Português o que dificulta o entendimento da bela narrativa por quem não domina nenhum dos idiomas disponíveis, o que é uma pena.

Opinião

Sea of Solitude possui uma narrativa tocante, que mais sobre falar solidão, problemas familiares e amorosos, discute sobre o ser humano alcançar o equilíbrio. Sua trama é sincera e direta ao ponto, que chega a ser dolorosa em algumas partes, pois inevitavelmente ou nos colocamos no lugar da personagem, ou podemos identificar pessoas ao nosso redor que podem estar passando por algumas daquelas situações. É como se fosse uma autorreflexão de como estamos dando atenção não apenas para os nossos problemas, mas também para aqueles que convivem conosco.

Uma pena que o jogo não inclua mais mecânicas de jogabilidade, para deixar a jornada de Kay mais interessante de ser trilhada, além disso mais elementos de gameplay, como puzzles mais desafiadores, por exemplo, trariam mais sofisticação para esse universo. Mas no geral é uma experiência bem interessante de vivenciar.

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About Author

Administradora de Empresas, mas apaixonada pelo mundo dos games e pelo Xbox!Fã da incrível e complexa franquia Halo e de seu icônico líder, o Master Chief. Também apaixonada por Dragon Age e seu universo magnífico. Ahhh e quem disse que Dark Souls não é divertido? :DSempre ligada nas notícias e novidades do lado verde da força!

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