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Remnant: From the Ashes foi lançado sem muito alarde pela Gunfire Games, e o que ninguém esperava é o burburinho que o mesmo vem causando desde então. O jogo caiu no gosto da comunidade, sendo exaltado em vários veículos. Mas qual seria a causa disso? Será mais um concorrente a jogo do ano? É o que você confere em nossa análise.

Cortando o mal pela raiz

Remnant: From the Ashes se passa em uma versão pós-apocalíptica da Terra, onde a humanidade está próxima da extinção. Obviamente, o jogador é a última esperança de todos, e deverá acabar com a grande ameça do jogo. Não há um protagonista pré-determinado. Você cria um personagem, com gênero e alguns moldes de aparência com com poucas opções de customização.

Escolha sua classe

Após um breve tutorial, conhecemos a causa da quase extinção dos seres humanos, a Raiz, que se trata de um ser capaz de corromper tudo o que toca. Conforme avançamos na campanha, vamos desvendando a origem dessa criatura (?), e logo descobrimos que estamos lidando com uma ameaça que pode acabar não só com a vida na Terra, mas de vários mundos. O interessante é que neste universo criado pela Gunfire, a Terra é o núcleo e seria um local puro, onde a raiz não poderia invadir. A não ser que… Eis o grande mistério que é jogado em nossas mãos.

Assim a Gunfire consegue prender sua atenção. Não só isso, pois ela também segue alimentando a nossa curiosidade, soltando novas informações a cada mundo que visita, e a cada novo diálogo. Um universo interessante, com um inimigo implacável.

Ahn…não?

Confesso que logo nos primeiros minutos achei o jogo bem entediante, outro soulslike com elementos de shooter. Um tanto genérico. Mas ao analisar um jogo, devemos extrair ao máximo que este pode oferecer e, para minha surpresa, Remnant: From the Ashes acabou se tornando uma experiência única.

Melhor ainda acompanhado

Remnant: From the Ashes é um shooter em terceira pessoa com elementos de RPG. Bebe da fonte de jogos como Dark Souls, The Division e até Destiny. Matar inimigos, ir atrás de loot para melhoramento de equipamentos. Barra de vida e vigor. Criação de itens com material deixado por chefes. Características presentes nos jogos que serviram de inspiração.

Aquele combate maroto cooperativo

Escolha entre as três classes disponíveis, uma com caraterística de combate corpo-a-corpo, e as outras duas a média e longa distância. Seus comandos são bem simples e fáceis de se familiarizar. Atirar, trocar de arma, usar habilidades, saltar e esquivar. O padrão da maioria dos jogos do gênero. Comandos fáceis e bem responsivos, logo você se verá dando cabo de hordas de inimigos.O problema é que eles, quase, não param de surgir. A munição de suas armas não é como em filmes de Hollywood (infinita) e o combate corpo-a-corpo contra vários inimigos não é a melhor das ideias. Os próprios chefes do jogo invocam minions quase que ininterruptamente em alguns casos. 

Já vi essa névoa em algum lugar

Agora imagine a cena:

Você está passando um perrengue, fugindo de uma pequena horda. Até que a salvação aparece. Um outro jogador se junta a sua sessão e te ajuda a se livrar dos inimigos. Assim, ambos se continuam a desbravar os percalços de Remnant.

A ajuda de outros jogadores é quase essencial, para travessar os perigos que o os mundos oferecem, e superar batalhas contra chefes. Tudo funciona melhor em coop. O jogo foi feito para isso. Felizmente, é bem simples de se juntar a uma sessão ou convidar um amigo para jogatina.

Como se fosse a primeira vez…

Criando vários mundos em Remnant: From the Ashes, a Gunfire conseguiu trazer uma certa riqueza ao jogo. Quebra aquela mesmice de ver o mesmo cenários, inimigos e NPCs com algumas variações. Em sua aventura, você encontrará as mais curiosas criaturas. Pântanos dominados por uma única entidade, ou até mesmo florestas que lembram cenários inspirados em O Senhor dos Anéis. Todos de alguma forma afetados pela Raiz.

Conhecemos personagens bem curiosos

É bacana sair explorando cada pedacinho destes mundos, afinal, você precisará de todo loot possível para melhorar seus equipamentos. Caso contrário, você não terá chances contra a crescente dificuldade que o jogo apresenta. Uma sucata aqui, um pedaço de ferro ali. Com sorte, você até encontra um material ou arma extremamente raro.

Para tornar tudo ainda mais interessante, a Gunfire resolveu criar mundos procedurais. Ou seja, seu mundo será único, ou quase isso. Personagens e chefes ligados a história sempre estarão presentes, já os demais podem variar. Você descobre isso logo na prática. Estava eu ajudando um jogador aleatório, fui guiando em todo caminho por um cenário que já havia passado. Quando chegamos no chefe, veio a surpresa! Era um inimigo que jamais tinha visto.

Os chefes de cada mundo são um show a parte

É um elemento que vai ajudar no fator replay, além do coop, e torna tudo mais interessante. Não é algo igual aos roguelikes (como o recente RAD), quando seu personagem morre e o mundo muda. Caso queria enfrentar um chefe diferente, só indo no mundo de outro jogador, ou começar um new game+.

Nem tudo são flores

Remnant: From the Ashes consegue ser um jogo com muitas qualidades, entretanto, nem tudo é um mar de rosas, pois o título sofre com problemas bobos, que acabam tirando seu brilho. Se por um lado a Gunfire conseguiu criar mundos exuberantes, a exploração acaba ficando um pouco comprometida. Ocasionalmente me deparei com paredes invisíveis enquanto buscava itens. Pior era quando se tratava de um item raro. Estava lá, na minha frente, mas inalcançável, independente de meus esforços.

Rumo a Mordor

Apesar dos trabalho caprichado nos cenários, alguns personagens parecem ter saído da geração passada. Personagens com uma aparência genérica e pobres de detalhes. Há ainda alguns problemas de animação, como projéteis que você não vê sair do inimigo, mas que surgem meio que do nada.

O principal atrativo do jogo, o multiplayer, também sofre com algumas escolhas duvidosas. Por exemplo, para entrar de fato em uma partida, é necessário que o host sente-se em um checkpoint. Enquanto ele não o fizer, você fica lá esperando e esperando. Pior é quando ele chega no checkpoint, mas o jogo não te coloca na sessão. Ou então, a falta de identificação de jogadores. Lembro quando dois jogadores entraram na minha sessão. Um estava ajudando e o outro nem se mexia. O nome dos dois aparecia na hub, mas não no seu personagem. Quando fui, tentar, expulsar o jogador inativo, acabei expulsando o que estava me ajudando. Complicado!

Um banho de leite, antigo truque para beleza

A trilha sonora é esquecível. Exceto pelo música de entrada do jogo, nenhuma outra me vêm a memória. Isso somado a alguns problemas de sincronia labial dos personagens, faz parecer que houve desleixo na sua produção. Para nós, brasileiros ainda há outro agravante. O jogo chega em legenda em pt-br, mas em vários momentos a legenda não foi traduzida. Pois é…

Opinião

Remnant: From the Ashes é uma das grandes surpresas do ano. O jogo consegue pegar vários elementos de RPGs e Shooters de sucesso e criar sua própria identidade. Seu modo cooperativo é quase que perfeito, e logo uma grande comunidade deverá se formar.  A Gunfire conseguiu criar um interessante universo, mas a sensação é de que experimentamos apenas a ponta do iceberg. Mal posso esperar para receber novidades.

Entretanto, tecnicamente o jogo sofre com diversas falhas. Problemas com animações. Trilha sonora quase inexistente e escolhas erradas na elaboração no multiplayer são uma verdadeira bola fora. Mas são detalhes que podem ser corrigidos em futuras atualizações.

Entenda nossas notas.

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About Author

Aficionado pela cultura geek. Se o cinema é a sétima arte, os games são a oitava. Entrou no mundo dos consoles no NES e desde então vem acompanhando a geração dos games até o Xbox One. Caçador de indies, nas horas vagas tenta ser biólogo.

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