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Análise: Blair Witch

Revelado de surpresa na E3 2019, Blair Witch é o mais novo jogo da Bloober Team, conhecida por seu trabalho em jogos como Layers of Fear e sua sequência, além do interessante Observer. O jogo chega para PC e exclusivamente no Xbox One para consoles. Inspirado no clássico filme The Blair Witch Project, de 1999, o título nos leva para a mítica floresta no norte de Burkittsville, local de origem da lenda da Bruxa de Blair.

Teria a Bloober Team conseguido trazer uma experiência tão assustadora quanto o filme que serviu de inspiração? É o que você confere em nossa análise.

Em busca da criança desaparecida

Apesar de Blair Witch se inspirar no filme, o jogo se passa em 1996, três anos antes dos eventos da adaptação cinematográfica. Encarnamos o papel de Ellis, um ex-policial que resolveu juntar-se às buscas do garoto Peter Shannon, que foi visto pela última vez próximo a floresta de Burkittsville e, desde então, encontra-se desaparecido. Ellis não está sozinho nessa, ainda há um fofo e leal coadjuvante: Bullet, o pastor alemão. Ellis precisará de seu parceiro, mais do que nunca, para conseguir encontrar Peter Shannon no meio da lendária floresta.

Se eu pego esse moleque…

Não demora para o jogador criar um elo com Bullet, afinal, ele é o único ser com quem podemos interagir no jogo e que, de fato, acha pistas. É ele quem vai farejar e encontrar objetos que estejam conectados ao paradeiro de Peter. É interessante salientar que a Bloober Team deixou o comportamento de Bullet bem natural. Ele sempre estará pronto para guiar Ellis, mas, as vezes, Bullet só quer fazer coisas de cachorro, como brincar com folhas, marcar território ou até mesmo não obedecer.

Cadê a Bíblia nessas horas?

Além de ser um guia, Bullet tem um papel muito mais importante no jogo. Ele é o porto seguro de Ellis. Acontece que o ex-policial sofreu alguns traumas que ainda afetam seu psicológico. Então começamos a ver os primeiros traços de um jogo da Bloober Team. Ellis começa a sentir tremores, escutar e ver alucinações quando começa a perder sua sanidade. Por isso ter Bullet sempre ao seu lado é essencial para manter o pé no chão.

Uma jogabilidade amigável

Se Blair Witch não fosse um jogo de terror, poderia ser facilmente classificado como um walking simulator. Ellis conta com um kit básico de buscas, com o qual podemos usar anterna, walk-talk e mochila para guardar objetos importantes. Também há o celular, com o qual Ellis usa para entrar em contato com sua companheira, seja por mensagem ou ligando. É possível até jogar alguns minigames que vinham instalados nos celulares da época. Quem não lembra do saudoso Snake?!?!?!?

Nosso fiel amigo. Nosso porto seguro

Posteriormente, Ellis encontrará uma câmera filmadora com poderes…místicos. Além de filmar, você poderá usá-la para moldar a realidade. Existem determinadas fitas na floresta que mostram alguns eventos que lá ocorreram. O jogador consegue interagir com alguns destes eventos, trazendo para realidade algo que estava na filmagem. Além disso, a câmera pode ser usada para ver objetos ocultos aos olhos.

São comandos simples. Basicamente achar um objeto e interagir com ele. Volta e meia rola um puzzle para exercitar os neurônios, mas nada impossível. É só não deixar o desespero afetar seu raciocínio.

O Mal na floresta

É claro que a jornada na floresta de Burkittsville não seria um passeio agradável ao parque. Não demora até coisas estranhas começarem a acontecer. São bonecas esculpidas em madeira, fotos de pessoas desconhecidas, aparições… Algo parece brincar conosco enquanto tentamos achar pistas de Peter.

Menino, sai já daí!!!

E isso eu falo de dia. Quando anoitece, a parada fica ainda pior. Primeiro que já bate o nervoso pois é quase impossível enxergar Bullet na escuridão. Para piorar, o nosso amigão volta e meia se mete no meio de arbustos que só andando com a Bíblia embaixo do braço, proferindo a palavra do Senhor, pra ganhar forças de ir atrás dele.

Se já não bastasse esses elementos, pois já dizia o velho ditado: não há nada tão ruim que não possa piorar, há algo dentro da floresta. E nessa hora Bullet começou a rosnar no meio da escuridão. Sussurros incessantes começaram em meus ouvidos. Joguei o feixe de luz da lanterna na direção que Bullet apontava e pude ver algo, que rapidamente desapareceu do campo de visão. Repeti o processo até que os sussurros cessaram e Bullet se acalmou. Foi um dos momentos mais tensos do jogo. Mas mal sabia eu que isso seria apenas uma pequena prova do que estava por vir.

Ellis é constantemente confrontado pelo seu passado

Então a exploração, que até então estava suportável, virou uma campanha de puro sofrimento, pois fui afetado psicologicamente. Por mais que tenha me livrado da criatura, a ansiedade por várias vezes tomava conta de minhas mãos na expectativa de um novo encontro. E assim, a Bruxa brinca com o protagonista. Seja de dia ou de noite, suas ações conseguem perturbar o psicológico de qualquer um que entre na floresta.

Queimando o filme

A Bloober Team conseguiu entregar algo bem aterrorizante. O terror psicológico, o clima de tensão, tudo foi feito com maestria. Mas Blair Witch sofre de alguns problemas técnicos que destoam e, as vezes, atrapalham a jogatina.

Ta pegando fogo, bicho!!!

Os gráficos não são a maravilha que mostraram, e ao menos no Xbox One X pareceram bem medianos. Em certos momentos o jogo sofre com quedas bruscas de frame rate, principalmente durante uma correria. Há também um bizarro bug com portas. Enquanto explorava alguns cenários, Ellis simplesmente travava na porta, sendo necessário agachar para passar. Por último, mas não menos importante, pop-in em algumas partes. Quando você se perde na floresta, a sensação é de andar em círculos. Você vai por um caminho, anda, anda, anda e acaba onde começou. Beleza, isso ocorre na realidade. O problema é quando uma pedra surge do nada na sua frente, ou até mesmo some.

Opinião

Dentre os jogos já lançados pela Bloober Team, Blair Witch talvez seja, de fato, sua obra mais aterrorizante. Ela consegue trazer elementos de investigação (Observer), terror psicológico (Layers of Fear 1 e 2) e implementar um pouco de Jump Scare. A jornada não é muito longa, podendo ser finalizada entre 6 à 8 horas em uma primeira jogatina, mas é uma experiência muito intrigante e intensa! Você fica na expectativa de encontrar a Bruxa a qualquer momento, assim como também quer conhecer mais o passado de Ellis. Outro ponto positivo foi trazer a tecnologia de áudio binaural para o jogo. Os efeitos sonoros no fone de ouvido são de congelar a espinha! O jogo está em pt-br, como de praxe dos exclusivos para Xbox One.

A pedra no sapato são os problemas técnicos que o jogo apresenta. Performance sofrível, gráficos meia boca, problemas com pop-in, entre outros. Fica a questão se a Bloober Team liberará alguma atualização com correções no futuro.

Entenda nossas notas.

Clique e confira na Microsoft Store

Lembrando que o jogo também está disponível na faixa para os assinantes do Xbox Game Pass.

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