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Primeiras Impressões: Bleeding Edge

Na E3 2018 a Microsoft anunciou a aquisição de um caminhão de estúdios. Neste bolo, encontrava-se a Ninja Theory, responsável pelo premiado Hellblade: Senua’s Sacrifice. Na E3 deste ano, o estúdio revelou seu primeiro projeto após unir-se ao Xbox Game Studios: Bleeding Edge, um frenético hack’n slash focado no multiplayer. O anúncio causou certo receio por parte da comunidade, visto que muitos aguardavam um jogo focado no singleplayer por parte da Ninja Theory.

Enfim, Bleeding Edge deu as caras na Brasil Game Show deste ano e tivemos a oportunidade de testar esta inusitada aposta. Confira o que achamos e aguardamos do mais novo exclusivo da Microsoft

Mergulhando no mercado de MOBA

Um dos gêneros mais populares no mundo dos games na atualidade é o MOBA, Multiplayer online battle arena. Jogos como League of Legends, Dota e Overwatch ajudaram disseminar o gênero que atraem jogadores do mundo todo. Bleeding Edge é a aposta da Ninja Theory dentro do cenário dos MOBA, com a promessa de trazer um estilo próprio.

Na versão (alpha) disponibilizada na Brasil Game Show, o jogo colocava duas equipes de 4 integrantes cada para batalharem entre si. O objetivo era somar pontos por meio de finalizações, ou dominando pontos específicos da arena. A equipe a atingir 500 pontos primeiro vence. Até aí, nada de novo. Essa é a cartilha básica da maioria dos MOBAs no mercado. Bleeding Edge se destaca na originalidade, que falaremos um pouco mais adiante.

Um plantel de respeito

Todo MOBA que se preze possui uma seleção de heróis diversificada e equilibrada. Mesmo com apenas 10 opções até o momento, a Ninja Theory conseguiu criar um grupo bem heterogêneo, divididos em três categorias: Assassin, Support, Heavy.

Assassin, como o nome sugere, é o grupo focado em eliminar outros jogadores. Poder de dano alto, muita mobilidade, mas bastante frágeis. Aqui você encontra Daemon (meu personagem favorito de cara), Gizmo, Maeve e Nidhöggr.

Support ajudam sua equipe de forma indireta. É aquele jogador responsável por curar seus aliados ou causar algum efeito negativo nos adversários, como prender, atordoar. Em uma batalha direta contra outro jogador, certamente ele não se sairia muito bem. Neste grupo estão Zerocool (vulgo prof. Xavier), Kulev e Miko.

Heavy são os tanques do grupo. Um grupo que pode se meter no meio da pancadaria e, graças ao seus elevados pontos de vida, demoram a cair no campo batalha. Em contrapartida. são personagens lentos, que muitas vezes não conseguirão correr atrás de adversários devido a sua lerdeza. Aqui estão Buttercup, El Bastardo e Makutu.

Um receio comum dentro dos MOBAs é o equilíbrio entre os personagens. Não é incomum você encontrar a situação em que um jogador experiente escolha um personagem X e consiga eliminar sozinho toda uma equipe adversária. Aí uma futura atualização chega para nerfar (enfraquecer) o personagem e balancear as coisas. Felizmente, a Ninja Theory conseguiu fazer com que o trabalho em equipe sobressaísse ao talento individual.

Combates frenéticos, porém táticos

Atualmente, não existe no mercado um MOBA de sucesso com características de hack’n slash. A maioria são FPS ou RTS. A Platinum Games até tentou emplacar com Anarchy Reings, mas não demorou para o jogo cair no esquecimento. Aí chega a Ninja Theory com a mesma proposta, e você já fica com aquela pulga atrás da orelha: “Será que vinga?”. Olha, temos ótimas notícias para dar.

O combate de Bleeding Edge está uma delícia. Comandos precisos, permitindo a criação de combos com facilidade. Lembra um pouco o que vimos em um trabalho anterior da própria desenvolvedora, o reboot de DMC (Devil May Cry). Cada personagem possui três habilidades especiais e uma super habilidade. Cada habilidade tem um tempo de intervalo para ser usada novamente, e a super habilidade precisa ser carregada para ser usada. Bem parecido com o que vemos em Overwatch.

O gameplay amigável inicialmente dá a impressão de que se você sair atacando ininterruptamente e de forma descerebrada vai matar todo mundo. Mas aí que você se engana. Você precisa saber bem seu papel para se dar bem por aqui. Durante o teste, joguei com personagem Daemon, um ninja grafiteiro. Caí pra cima dos adversários como um louco. Jogava shuriken, ficava invisível, brandava a minha katana por todo lado. Alguém acabava morrendo no processo, mas minha equipe perdia a maioria dos combates.

Foi do meio para o final da partida que percebi que deveria escolher bem meus alvos. E não só isso, eu precisava saber quando atacar e onde me posicionar. Certamente, atacar um Heavy de frente não era a melhor escolha, então comecei a focar na classe support. Me aproximar por trás do adversário para atacar sem chamar atenção. Assim, um por um ia caindo. Pena, que percebi isso tarde demais. Nossa equipe foi derrotada com apenas 1 ponto de diferença.

Veio aquela sensação de que precisava tentar novamente. Agora sabia como usar meu personagem. Dessa vez iria ganhar. E lá estava eu na fila para testar o jogo novamente. Enquanto aguardava, eu observava outros jogadores passando pelo mesmo processo de aprendizagem que tive, e tirando vantagem de seu personagem. Na minha segunda vez, a vitória veio, mas não tão fácil quanto imaginara. Afinal, outros jogadores também começaram a entender como as coisas funcionavam.

Artisticamente belo

O que mais chama atenção de Bleeding Edge é seu traço artístico diferenciado. Os personagens não seguem estereótipos, e cada um tem sua marca registrada. Daemon é um negro nova iorquino que se veste como ninja/samurai. Buttercup é tão apaixonada por motocicletas que, após um acidente automobilístico em que precisou amputar as pernas, instalou uma prótese especial que permitia mover-se sobre duas rodas novamente. Ou, mais excêntrico ainda, Kulev, um professor de história aficionado pela cultura Voodoo. O cara digitalizou sua própria alma em uma cobra com um cadáver mumificado.

A arena do jogo também não fazia feio. Jersey Sink era bem colorida, com toques de neon e grafite. A arena era grande o bastante para transitar com certa liberdade, fugir ou esconder-se de seus oponentes. Não consegui tirar qualquer conclusão da parte sonora, visto que o barulho na estande do Xbox estava ensurdecedor por conta de alguns campeonatos que ocorriam ao vivo.

Opinião

Bleeding Edge pode ser a próxima grande cartada da Xbox Game Studios. A Ninja Theory apresentou um produto competente, em um mercado, até então, não explorado pela Microsoft. Combates envolventes, belos gráficos e a promessa de mais um jogo viciante.

O sentimento no estande do Xbox na BGS foi quase que unânime. Bleeding Edge surpreendeu a todos positivamente. Vale lembrar que estamos falando de um produto em fase alpha ainda, e se a Ninja Theory continuar neste ritmo, certamente o produto final agradará grande parte da comunidade.

Para quem quiser tentar a sorte de conseguir uma chave alpha, siga as instruções neste link.

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