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Spiritfarer chegou com a proposta de trazer um novo conceito para o gênero dos jogos de gerenciamento, onde os jogadores precisam coletar recursos para melhorar o local e a vida das pessoas, num ciclo infinito de criar, coletar, construir e melhorar. O jogo da Thunder Lotus (Jotun e Sundered) tem tudo isso, mas adiciona o ingrediente da criação de fortes laços com os personagens que você cuida, pois muito além de gerenciar, Spiritfarer é um jogo sobre saber a hora de dizer adeus.

Sim, o tema central do jogo é a morte, pois estamos no controle da menina Stella, que é a responsável por fazer a passagem das pessoas que morreram para que cheguem ao outro plano. Dessa forma, nosso objetivo é cuidar dessas pessoas para que encontrem a paz necessária para enfim descansarem. Parece um tema pesado, mas Spiritfarer consegue desenvolvê-lo com sensibilidade, e ainda adicionando as mecânicas de gerenciamento de forma natural. Uma mistura maravilhosa e que vamos discutir em detalhes nessa análise.

História

A narrativa é o ponto central de Spiritfarer, pois é ela que move todo o mundo e os seus personagens. A Thunder Lotus também sabia disso, e teve um trabalho meticuloso em contar sua história e conectá-la com todos os recursos de jogabilidade.

O jogador está no controle de Stella, escolhida para ser a nova condutora de um navio que transporta aqueles que estão fazendo a passagem entre a vida a morte. São pessoas que faleceram, e que agora precisam de um guia para essa transição. Nosso objetivo é conduzir esses espíritos durante essa transição, de forma que aceitem sua nova condição e encontrem paz para suas almas. Esse é o dever do Spiritfarer, essa é a missão de Stella.

Ela tem ao seu lado o fofo gato Daffodil, que é seu grande ajudante, e companheiro, para todas as situações. Parece um tema triste demais, mas o estúdio conseguiu passar isso de forma leve, desenvolvendo com maestria um tema tão delicado para muitos.

Nosso objetivo é encontrar esses espíritos e encontrar uma forma de fazê-los se sentirem seguros de seguir adiante, e enquanto isso precisamos interagir com eles de forma a descobrir quais comidas mais gostam ou não suportam; arrumar um lugar especial para morarem no navio, e ainda melhorar esse cantinho com seus pedidos especiais; conversar com eles para entender o que aflige suas almas, e também para estreitar o relacionamento com eles; e ainda dar calorosos abraços de tempos em tempos, pois afinal de contas que não gosta de carinho? Cada um deles também possui suas próprias personalidades e histórias, que são belamente desenvolvidas durante o jogo. Para que seus passageiros estejam sempre confortáveis, precisamos administrar diversos recursos e atividades, e é nesse ponto que entram as mecânicas de gerenciamento, mas falarei delas mais adiante.

Você aprende a conviver com eles, e se sente envolvido pelo sentimento de comunidade, com tantos desses personagens andando pelo seu navio, mas seu objetivo não é mantê-los ali, mas lhes dar paz, de forma que aceitem seu destino e possam fazer a passagem. E esse é ponto mais difícil da jornada, pelo menos foi para mim. Você se vê conversando, abraçando e conhecendo mais dos gostos de cada um deles, mas isso também faz com que eles se sintam preparados para seguir adiante. E quando isso acontece temos que levá-los para o local chamado Everdoor, onde nós também precisamos dizer adeus para eles, e isso é realmente tocante, pois se tratam de personagens que aprendemos a amar. Spiritfarer é basicamente sobre o processo de dizer adeus, e isso também serve para o jogador, que está bem no meio de toda essa grande experiência humana.

A Thunder Lotus claramente quis trazer um sentimento positivo, para um tema geralmente encarado de forma negativa, e o estúdio conseguiu acertar o tom de forma magistral. Você se sente triste com o adeus, mas ao mesmo tempo se sente feliz, pois conseguiu dar paz para aqueles espíritos.

Além as missões principais da história, que geralmente se desenvolvem dentro do navio, ainda temos missões secundárias nas ilhas, e missões diárias, onde podemos trocar recursos por algumas recompensas interessantes. Explorar as ilhas é importante, pois alguns dos espíritos que precisamos ajudar precisam ser encontrados nelas. A duração média do jogo é de 30 horas, mas isso pode se estender caso você deseje realmente fazer todas as missões secundárias, e completar todas as Conquistas.

Jogabilidade

Com tudo o que lemos acima sobre a história de Spiritfarer, parece improvável que a escolha dele ser um jogo de gerenciamento pudesse funcionar, mas funciona, e funciona perfeitamente. O título traz tudo o que um jogo de gerenciamento requer, com diversas atividades para cultivar alimentos, transformar recursos e criar outros novos. O seu mundo é o seu navio, e você precisa construir novas estruturas nele, para otimização dos seus recursos e para o bem-estar dos seus passageiros, além de poder realizar melhorias nelas.

As tarefas são infinitas, mas você pode realizá-las de acordo com suas necessidades. Está precisando de madeira para completar algum projeto? Você pode transformar a madeira bruta em tábuas que podem ser usadas. O mesmo vale para os diversos metais que encontramos pelo mundo. Precisa de frutas ou legumes para uma receita? Então plante e colha direto da fonte. Você também pode pescar, transformar tecidos, criar ovelhas e vacas, e por aí vai. As opções são realmente vastas, e elas são expandidas à medida que você aumenta o tamanho do seu navio, e você pode dar, cada vez mais, asas para sua imaginação e criatividade.

Mas você deve estar se perguntado: mas eu vou ficar o tempo todo no navio? A resposta é não. O navio oferece muitas atividades para deixar o jogador ocupado por um bom tempo, mas ele é apenas parte da proposta, pois você deverá viajar pelo mapa em busca de novas ilhas. Esses novos ambientes possuem recursos valiosos para sua jornada, bem como trazem novas missões secundárias, expandem a campanha principal e te traz a oportunidade de conhecer novos espíritos que precisam ser guiados por Stella. Você marca um ponto e seu navio viaja automaticamente até o seu destino, e enquanto isso você pode gerenciar seus recursos e estreitar os laços com seus passageiros. Também existem estações de viagem rápida, caso queira chegar mais rapidamente até um destino específico.

Spiritfarer possui clima dinâmico, com ciclo de dia e noite, que também é algo importante para a sua administração, pois seu navio fica impossibilitado de andar durante a noite, mais precisamente a madrugada, então é uma boa hora para dormir um pouco, a não ser que tenha algum trabalho para adiantar.

O mapa possui um tamanho bom, mas ele não pode ser totalmente explorado de cara, pois é necessário desbloquear algumas melhorias no navio antes que ele possa avançar por novos pedaços dos mares, o que adiciona uma interessante faceta metroidvania ao título. Stella também adquire novas habilidades conforme avançamos na história e exploramos as ilhas, algo que também expande os locais que podemos ir em busca de novos recursos, bem como realizar a progressão da história. Ainda pensando em expandir as possibilidades do seu jogo, a Thunder Lotus adicionou alguns interessantes segmentos de plataforma ao jogo, que divertem e não saem da proposta narrativa, já que em alguns deles você precisa ajudar criaturas míticas que estão com sérios problemas.

Já no seu navio, como dito acima, existem diversas estruturas voltadas para a criação e transformação de recursos. Em algumas delas você vai direto ao ponto, como o ato de plantar uma semente e regar seu solo periodicamente para pode poder colher o que foi plantado. No entanto, em outras, para coletar os recursos, é necessário passar por um minigame, o que deixa as atividades bem mais divertidas. Seja para cortar madeira, fundir metais, reciclar tecidos ou até mesmo esmagar recursos para transformá-los em pó ou óleo. Tem espaço para tudo. Você pode até mesmo tocar música para as plantas crescerem mais rápidp. Os controles são bem intuitivos e respondem bem, o que torna tudo ainda mais agradável.

E o mais impressionante é que toda essa estrutura gigante de gerenciamento se encaixa perfeitamente na proposta narrativa, pois todo nosso esforço não é para juntar mais dinheiro, ou colecionar roupas e propriedades, mas é voltado para criar um ambiente que facilite a passagem de pessoas que morreram, de forma a encontrarem a paz para seus espíritos. Você sabe que um desses personagens adora café, então você vai lá planta a semente e cuida dela até germinar, depois usa esse grão para fazer um café quentinho e levar para esse espírito, que fica feliz ao receber algo que gosta. Cada um deles possuem comidas que gostam e que não gostam, e cabe a você descobrir quais são para não deixá-los com fome, e sempre buscar oferecer seus pratos favoritos. Eles também possuem uma barra de humor, onde situações como fome, ou não ter uma casinha só para eles, podem fazer com que fiquem infelizes, mas que isso pode ser melhorado quando construímos e melhoramos suas casas, oferecemos comida e também ao dar um caloroso abraço.

No final da jornada de cada um, quando finalmente estão prontos para realizar a passagem, você se emociona ao ter que dar o último adeus, pois criou uma conexão com eles. Você também acaba precisando a aprender a dizer a adeus, no final das contas.

Por fim, Spiritfarer possui a opção de jogar em co-op local, onde um jogador controla Stella e outro fica com o gato Daffodil. Apesar de apoiar e intenção do estúdio, de oferecer opções para seus jogadores aproveitarem seu jogo, eu preferi jogar praticamente todo o jogo sozinha, deixando para testar o co-op apenas para fins de análise. O recurso funciona bem, mas eu curto mais a proposta de Spiritfarer como uma jornada pessoal.

Gráficos e Som

A apresentação gráfica de Spiritfarer consegue trazer toda a magia do seu mundo, com cenários cheios de cores vibrantes, mas que se transformam em locais mais sombrios ou tristes, com a adição de chuvas, tempestades e mudanças místicas da atmosfera. Os personagens também estão bem caracterizados, e trazem força e sensibilidade para a história, com claras expressões de felicidade, tristeza, supressa, e por aí vai. Essas animações expressivas trazem ainda mais força para a narrativa, sendo praticamente impossível não se importar com o que acontece na tela.

O desempenho no Xbox One X é ótimo, sem travamentos ou quedas de framerate, oferecendo uma ótima experiência durante toda a jornada. O único problema que encontrei foi um erro onde o gato ficava preso em algum lugar e não me acompanhava, impedindo que eu conseguisse derrubar árvores, algo que eu mesma resolvi andando um pouco pra frente e para trás para forçar a progressão do companheiro. Nada muito grave ou recorrente.

 

Quanto a trilha sonora ela é incrivelmente atmosférica, e vende bem a proposta divertida e sobrenatural do jogo. Seja enquanto estamos no navio cuidando das estruturas e nossos passageiros, seja nos agitados momentos de plataforma e nos minigames que ocorrem durante as viagens, ou ainda nos tocantes momentos onde realizamos a passagem definitiva dos personagens, tudo te leva pra dentro da aventura de Stella. Não existem palavras completas nos diálogos, mas em seu lugar foram inseridos ruídos, e até mesmo nisso o trabalho foi bem meticuloso, de forma a agregar perfeitamente esses sons com os textos dos diálogos que aparecem na tela.

Quando eu joguei, Spiritfarer ainda não possuia suporte para o português do Brasil, mas o estúdio adicionou o nosso idioma em uma atualização que foi liberada hoje, então você já poderá conferir toda a jornada com diálogos e menus em português.

Opinião

Spiritfarer foi uma belíssima surpresa para mim. Eu havia me interessado pelo jogo por causa da sua arte e da sua proposta narrativa, que me deixou curiosa de como conseguiriam desenvolver aquilo de uma forma que não fosse tão pesada, mas ao mesmo tempo eu fiquei com um pé atrás por se tratar de um jogo de gerenciamento. No entanto, tudo é tão bem construído que você não se sente como uma máquina de criar e coletar recursos, mas como alguém que está tentando ajudar pessoas que morreram e que precisam encontrar paz para seus espíritos. Todo esse ciclo te envolve e te emociona em uma grande montanha-russa de sentimentos.

Quando os créditos finais sobem, você se sente abraçado pela bela música, mas principalmente por ter conseguido fazer a diferença para aqueles que passaram pelo seu navio. Uma experiência emocionante e poderosa, que eu recomendo muito para todos os jogadores.

Vale lembrar que Spiritfarer também pode ser aproveitado pelos assinantes do Xbox Game Pass.

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About Author

Administradora de Empresas, mas apaixonada pelo mundo dos games e pelo Xbox!Fã da incrível e complexa franquia Halo e de seu icônico líder, o Master Chief. Também apaixonada por Dragon Age e seu universo magnífico. Ahhh e quem disse que Dark Souls não é divertido? :DSempre ligada nas notícias e novidades do lado verde da força!

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