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Análise – Bad Dream: Coma

A macabra série de jogos point’n click Bad Dream enfim chegou ao Xbox. Bad Dream: Coma coloca os jogadores para viajar por uma terra sombria e perturbadora de sonhos. Para voltar a sua realidade, o jogador deverá resolver diversos enigmas, onde todas as suas ações afetam aqueles a sua volta. Como será que nos saímos nesta macabra aventura?

Fugindo do pesadelo

Bad Dream: Coma se mostra um jogo incomum já no início de nossa jornada. A história é um tanto vaga. Com visão em primeira pessoa, vemos o nosso personagem caindo no sono em sua cama. Ao acordar, nos encontramos em um lugar totalmente diferente. Estamos presos em uma terra de sonhos e ao longo de oito capítulos, exploraremos cemitérios, florestas, hospitais e outros cenários desolados.

Não há muitos diálogos. Você encontra personagens diferentes ao longo de cada cenário e seus pedidos de ajuda servem como bússola para avançar no jogo. O interessante é que há mais de uma forma de avançar na trama, tudo com base na forma que você ajudou cada personagem. Sua forma de jogar afetará não só o desfecho de cada capítulo, como os personagens que você encontrará.

É como se jogássemos uma coletânea de histórias de terror, no melhor estilo Clube do Terror, Contos da Cripta, Goosebumps e outras obras do tipo, mas com elementos ainda mais sórdidos.

Gameplay

Bad Dream: Coma não se diferencia muito em termos de gameplay de outros jogos point’n click. Com um pequeno circulo como cursor, você vai interagindo com os itens do cenário. Alguns podem ser movidos, coletados e combinados. Com um pouco de raciocínio lógico você consegue resolver alguns desafios, já outros são capazes de “travar” qualquer jogador. O fator dificuldade aumenta ainda mais dependendo de qual caminho decidamos seguir.

Como já mencionado, existe mais de uma forma de resolver cada desafio apresentado nos capítulos: a boa, a neutra e a má. Curiosamente, a forma “má” é aquela onde a resolução dos problemas são as mais fáceis. Tentando não estragar a experiência de quem for jogar, vou citar uma breve experiência que me marcou bastante no jogo.

Logo no primeiro capítulo do jogo, de forma acidental, descobri que o jogo possuía um “sistema de moralidade”. Ao interagir com os objetos do cenário, não percebi que a opção dada ao clicar em cima do corvo seria de desferir um soco. Matei o bicho na hora e vi que o caminho bom já tinha se apagado. Beleza, logo no início, recomecei o jogo para ficar mais atento, pois tenho costume de sempre realizar o final bom primeiro em jogos que dão essa opção.

Já um pouco mais pra frente, uma cancela em uma ponte impedia o nosso progresso. Obviamente, pular por cima dela não era uma opção. Observo que está sem energia e com um fio cortado. É quando começo a ouvir som de choro. A procurar pela fonte do barulho, encontro um carrinho com um bebê dentro chorando. O som já estava incomodando. Tentei utilizar todos os itens do inventário para fazê-lo parar de chorar. Foi quando com um deles, esmagamos a cabeça do bebê…

Choque. Surpresa. Eu não queria fazer aquilo. Quando percebi, na verdade, que se tratava de uma boneca, e que em sua cabeça quebrada estavam os fios de energia para utilizar na cancela.

Situações como essa se repetem por muitas e muitas vezes no jogo. Mas vale lembrar que há outras formas de solucionar cada problema.

Aí fica o questionamento: O que você faria para fugir de um pesadelo? Vale qualquer coisa para voltar para seu mundo? Afinal, estamos em uma terra de sonhos, nada daquilo é real. Nosso personagem não pode morrer, consequentemente podemos tomar qualquer decisão sem medo de ver uma tela de “Game Over“.

Gráficos e Som

A parte gráfica talvez seja o fator que mais gere controversas em Bad Dream: Coma. São desenhos simples em preto e branco em sua grande maioria. Podem até parecer toscos, mas esse estilo consegue passar um tom fúnebre para o jogo. Entretanto, não é incomum você acabar não conseguindo distinguir itens menores e escondidos nos cenários monocromáticos.

Como os diálogos ocorrem por caixas de texto, a parte sonora se resume a melodias melancólicas ao fundo. Gritos desesperados, crianças chorando, ranger de portas e outros efeitos se misturam as músicas de fundo para criar um ar ainda mais tenso.

Infelizmente, o jogo é um port da versão para PC sem qualquer tipo de conteúdo extra ou melhorias, incluindo a ausência de legendas para nosso idioma. Resolver enigmas já é naturalmente difícil em algumas situações, sem entender o que é pedido, então…

Opinião

Bad Dream: Coma se mostra como uma interessante opção para um gênero tão escasso nos consoles como o point’n click. Com puzzles bem elaborados e uma ótima ambientação, o jogo pode oferecer uma experiência interessante com alto fator replay para aqueles que buscam desafiar sua mente.

No entanto, é preciso levar em conta que o jogo coloca o jogador em situações desconfortáveis, que podem incomodar alguns. A falta de legendas em português do Brasil é outro agravante, que aumentará ainda mais a dificuldade de avançar no jogo para aqueles que não possuem domínio em outras línguas.

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