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Análise – Omno

Omno chamou a atenção, quando foi mostrado pela primeira vez para os jogadores do Xbox, durante um evento do ID@Xbox, o programa da Microsoft que apoia jogos independentes. Ele se trata de um jogo de aventura single-player que foi desenvolvido apenas por Jonas Manke, que após 5 anos de muita dedicação, e uma campanha de sucesso no Kickstarter, finalmente vê seu jogo ser lançado e alcançar um público gigantesco, já que também chegou através do Xbox Game Pass.

Em Omno nós vivemos a jornada de um peregrino, que segue seu caminho explorando as maravilhas e mistérios de um mundo antigo, no qual devemos resolver uma série de puzzles e desafios de plataforma para encontrar um portal de luz mítico, que se tornou o grande objetivo do nosso pequenino protagonista.

Uma jornada cheia de mistérios

Seguindo a tendência de muitos jogos indies com a dupla exploração+puzzles, Omno é bastante vago no que diz respeito a sua história, mas não é daqueles títulos que nos deixa sem nenhum tipo de informação, pois ele revela um pouco do seu universo conforme interagimos como obeliscos e murais com ilustrações. Entendemos que o protagonista é um peregrino em um misterioso mundo antigo, cheio de criaturas fantásticas, e que possuía uma poderosa civilização que buscava chegar em portal, provavelmente para encontrar um novo mundo.

Nosso objetivo acaba se tornando encontrar o local do tal portal para assim, talvez, encontrar mais seres como Omno, pois ele está sozinho neste gigantesco mundo, e o jogo é certeiro em trazer essa sensação de solidão. Ainda assim, nosso personagem principal consegue fazer uma bela amizade com um ser daquele mundo, e esse laço vai se fortalecendo a cada capítulo que conseguimos fechar.

Apesar de ser uma jornada subjetiva, o criador Jonas Manke teve todo o cuidado de inserir informações que ajudam o jogador a criar sua própria interpretação, assim como cria curiosidade para que descubramos o que pode vir a seguir na jornada de Omno. Qual nova informação receberemos sobre a civilização perdida? Qual as novas peças desse mistério descobriremos no próximo bioma? O que nos aguarda no tal portal? Um quebra-cabeça narrativo simples, mas muito interessante conforme vai tomando forma.

Jogabilidade simples e focada na força da jornada

Esse povo perdido deixou alguns dos seus poderes para trás, e eles serão importantes para a nossa jornada. Essas habilidades são parte da nossa progressão, para conseguirmos avançar e completar os puzzles. Conforme mais delas são desbloqueadas, mais elementos são adicionados a esses desafios, os deixando mais interessantes. Nada extremamente complicado, mas divertido de resolver.

Dentre as habilidades, temos uma investida para maximizar nossa velocidade e alcançar lugares mais distantes. Também podemos usar nosso cajado para deslizar pelos cenários ou planar nas alturas. Tudo pensado para potencializar essa sensação de estar em um mundo repleto de magia. Apesar de não existirem instruções, o jogo é extremamente intuitivo, nos fazendo entender suas mecânicas de uma maneira natural.

Alguns desafios de plataforma podem ser pouco responsivos, principalmente nos trechos onde precisamos planar, mas nada que nos tire da imersão.

Cada bioma, possui uma série de colecionáveis, locais para interagir e criaturas para descobrir. Cada uma dessas atividades faz parte para completar os 100% do mapa. Alguns estão em lugares óbvios, outros requerem mais atenção e outros precisam que coloquemos em prática diversas das habilidades que recebemos. Tudo é bastante natural, e não senti em nenhum momento que essa busca pelos 100% era cansativa, mas como parte da própria jornada de descoberta de Omno.

Não existe combate, pois a ideia claramente foi focar na experiência da descoberta de uma forma mais tranquila. A ideia não é eliminar criaturas, mas interagir com elas e entendê-las melhor.

Omno não é um jogo muito longo, você pode terminá-lo em cerca de 5 horas ou menos, mas a duração combina perfeitamente com a proposta. Nós sentimos que o tempo da nossa jornada com o pequeno protagonista foi suficiente, sem nos deixar com a sensação de que faltou algo ou que foi longa ou cansativa demais.

Belos cenários e uma trilha sonora poderosa

O mundo de Omno, além de trazer toda essa sensação de magia, mistério e solidão, também nos recompensa com belos e diversificados biomas, onde cada um deles traz sua própria personalidade e beleza. Cada floresta, desertos, paisagens geladas ou estruturas, tudo traz detalhes que mostram todo o carinho do desenvolvedor por aquele mundo. Todo esse conjunto te convida para a exploração.

Ainda assim, nem tudo são flores. O jogo possui alguns momentos nos quais o framerate cai bastante, mesmo jogando em um Xbox Series X. Nada que estrague a jornada, mas uma atualização seria bem-vinda para melhorar a experiência geral.

A trilha sonora de Omno é simplesmente maravilhosa, ela traz um sentimento aconchegante, mesmo como toda a leve melancolia que acompanha nosso personagem. O desenvolvedor trabalhou junto com o compositor Benedict Nichols para criar esses temas incríveis. Em diversos momentos, o jogo me lembrou bastante a trilha sonora do maravilhoso Ori.

Para completar, o jogo possui legendas e menus em português do Brasil, e você poderá entender bem toda a proposta do título, além de montar a sua própria conclusão acerca deste universo.

Opinião

Omno foi mais uma das belas descobertas que pude encontrar no vasto catálogo do Xbox Game Pass. O jogo traz uma jornada relaxante e cheia de sensibilidade, que nos abraça com seus belos cenários, exploração deliciosa, puzzles interessantes e uma trilha sonora maravilhosa. Ainda que tenha alguns leves tropeços técnicos, como drops de framerate, a experiência geral é realmente muito boa, e posso recomendar facilmente o jogo para qualquer que seja o tipo de jogador.

Criado por apenas um desenvolvedor, Omno traz toda a paixão e carinho do seu criador e nos oferece uma jornada marcante.

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