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Eu conheci Dolmen na BGS de 2017 enquanto conhecia diversos projetos na área indie do evento. O jogo da Massive Work Studio, estúdio 100% brasileiro, me chamou a atenção por sua interessante atmosfera sci-fi, uma grande qualidade gráfica e a clara inspiração em Dark Souls. Ele se trata de um RPG de ação em 3ª pessoa, com uma narrativa que traz uma grande carga de suspense espacial, com uma interessante mistura de ficção científica futurista com horror cósmico de Lovecraft.

Após muitos anos de espera, a Massive Work lançou Dolmen em parceria com a Prime Matter, e agora podemos mergulhar nessa ambiciosa proposta feita no Brasil.

Um mergulho na ficção científica

Dolmen começa nos explicando que em seu universo a humanidade colonizou vários sistemas estelares usando tecnologia de viagens espaciais e manipulação genética para se adaptar às mais diversas condições. Em determinado momento, a Zoan Corp. descobriu o distante Sistema Revion, que rapidamente chamou a atenção por emitir uma radiação diferente. O único planeta nesse sistema se chama Revion Prime, que também possui uma grande quantidade do valioso cristal Dolmen, que permite a interação entre diferentes dimensões e, dessa forma, possui um gigantesco potencial para revolucionar a exploração espacial. Existe um grande interesse nas vantagens militares e tecnológicas dessa descoberta e isso atrai não apenas a Zoan Corp., mas também os Vahani, que vagam pelo universo alterando a composição genética de outras espécies.

O jogo começa logo após um acidente durante essas explorações em Revion Prime, nossa missão imediata é trazer os cristais Dolmen de volta aos arquivos, enquanto buscamos sobreviver ao ambiente a as criaturas hostis que infestaram o planeta após o acidente. Conforme avançamos, entendemos um pouco mais sobre os mistérios de Revion e tudo que rodeia e o seu misterioso cristal.

Dolmen possui uma trama bem única e interessante, que se esforça em apresentar algo realmente diferente ao jogador, além disso, sua atmosfera carregada de suspense e mistério, me deixou intrigada em saber mais acerca daquele universo. A Massive Work foi realmente muito feliz ao criar os ambientes e clima do seu jogo, que remetem a toda essa ideia de explorar o desconhecido. No entanto, como a narrativa se desenvolve lentamente conforme desbloqueamos alguns diálogos, cenas ou transmissões de rádio, esse sentimento acaba enfraquecendo. Essa escassez de informações esfria a história, de forma que em determinado ponto eu fiquei mais interessada na exploração dos mapas do que em descobrir algo com peso narrativo. Simplesmente deixou de ser interessante.

Entendo que tiveram o estilo Souls como inspiração, onde a história se desenvolve de forma subliminar, mas para que isso possa funcionar, além da atmosfera, o jogo também necessita de uma boa jogabilidade, e Dolmen traz alguns problemas que prejudicam um pouco essa imersão.

Um souls-like que precisa de ajustes

Assim como é característica dos jogos Souls, o combate de Dolmen se apresenta bastante tático, dessa forma é necessário saber a hora de bater e recuar. Você pode desferir ataques fortes e fracos com armas corpo-a-corpo e de fogo, esquivar-se, aparar, sempre buscando entender os padrões de ataque de cada inimigo para se sair bem nas batalhas. A dificuldade é bastante elevada, o que vai requerer não apenas disciplina nos combates, mas também melhorar equipamentos e atributos para conseguir progredir em sua jornada por Revion Prime.

Para melhorar os atributos do seu personagem, e também subir de nível, é necessário gastar Nanitas, que é a moeda ganha ao eliminar inimigos. Para usar essas Nanitas, é necessário encontrar um módulo de teleporte e ir até a sua nave. Interagir com esses módulos também recupera sua vida e energia, mas também faz com que os inimigos derrotados reapareçam, com exceção dos bosses. Voltando para a sua nave, é possível melhorar o nível e atributos do seu personagem, assim como também é possível criar equipamentos e customizá-los.

Para criar os itens, o jogador precisa ter o seu diagrama e os recursos característicos para cada peça. Esses variados tipos de aprimoramento possibilitam ao jogador se adaptar aos mais diversos tipos de desafios, além de criar um personagem que se adapte ao seu próprio estilo de gameplay. Outro fator importante para dar poder ao seu personagem são as Tecnologias, com três trilhas diferentes de atributos, que são desbloqueados de acordo com os itens equipados pelo jogador. Quanto mais peças usadas de uma determinada tecnologia, mais atributos você recebe dela.

Um fator interessante para o combate, e criação dos seus itens, são os danos elementais, e em Dolmen existem quatro deles: Físico, Fogo, Gelo e Ácido. Os inimigos possuem resistência e fraquezas a esses tipos de danos, o que deve ser explorado pelo jogador para facilitar muitas batalhas, tanto para infligir dano massivo quanto para se defender melhor.

Outra mecânica importante de Dolmen são as habilidades especiais que podem ser ativas ou passivas, dependendo do reator que estiver usando. Essas habilidades geralmente requerem energia que é um consumível bastante limitado e que precisa ser utilizado com cautela, pois para nos curarmos também precisamos ter energia disponível na barra. A recarga dessa energia é bem lenta, demorando cerca de 2 segundos com nosso personagem parado, o que é bem complicado. Você pode recarregar essas cargas de energia acessando um terminal, encontrando pelo mapa ou ainda de alguns inimigos. De toda forma, é bom usar o recurso com cautela.

Assim como é tradição na maioria dos jogos que seguem a linha souls-like, a morte possui um peso muito grande na progressão, e em Dolmen isso não seria diferente. Quando morre, o jogador perde todas as suas Nanitas e Fragmentos de Dolmen, caso ele consiga voltar ao lugar onde morreu pode pegar os recursos de volta, mas caso seja derrotado novamente antes disso perderá todos eles permanentemente.

Por fim, o jogo ainda possui um limitado recurso multiplayer online para até quatro jogadores, no qual é possível pedir ajuda, mas apenas contra bosses, nada de explorar os mapas com o amiguinho. Para ativar a sessão, é necessário gastar 3 Fragmentos de Dolmen, que não é um recurso muito comum, esses mesmos fragmentos também são utilizados para fazer um boss ressurgir para você acumular seus recursos específicos. Se você entrar para enfrentar um boss, for derrotado e decidir pedir ajuda, terá que voltar nos mapas para farmar os fragmentos novamente, pois eles ficaram presos na sala do boss. O recurso cooperativo é sempre bem-vindo, mas da forma limitada que foi implementado em Dolmen, ele não incentiva a usá-lo, tanto que cheguei nos mapas finais e não consegui estabelecer uma sessão sequer.

O combate pouco responsivo tira muito do brilho de todas essas opções que a Massive Work oferece aos jogadores. As batalhas se tornam mais difíceis por conta do hitbox ruim onde nunca sabemos ao certo se um golpe nosso irá acertar o inimigo ou se ele irá nos acertar um golpe fatal. No início é fácil relevar esses problemas, mas quando eles se arrastam pelo jogo todo, desestimulam o avanço.

A dificuldade é bastante elevada, como se espera em jogos desse gênero, mas eu senti que em diversos momentos ela se apresentava apelativa e forçada. Mesmo melhorando os equipamentos e status do meu personagem ele nunca parecia forte o suficiente, mesmo voltando em mapas iniciais. Isso tirou muito o meu senso de progressão.

O belo e atmosférico Revion Prime

Dolmen possui um mundo realmente bem construído e interessante, que consegue destacar a estranheza de um planeta alienígena, com suas próprias particularidades. Além disso, também é muito feliz em mostrar os avanços tecnológicos alcançados pela humanidade, trazendo uma forte atmosfera de ficção científica. Os ambientes, as criaturas, as estruturas, armas, armaduras…. Tudo é detalhadamente criado, mostrando que o estúdio se esforçou para entregar algo que fosse realmente único.

O jogo foi todo construído usando o motor gráfico Unreal Engine 4 e se apresenta muito bem. No Xbox Series X ele possui dois modos: Qualidade e Performance. Confesso que gostei mais do Performance, onde temos um framerate mais alto e a qualidade visual continua boa. Lembrando que o jogo também está disponível para Xbox One, mas eu não testei essa versão. Os loadings são bons e o título possui suporte para a tecnologia do Quick Resume. Durante toda a minha jornada não fui incomodada com travamentos e engasgos, tudo fluiu muito bem.

A trilha sonora mistura temas mais tranquilos com outros mais assustadores, trazendo um sentimento perturbador sempre latente de que a qualquer momento algo pode dar muito errado.

O jogo está totalmente localizado para Português do Brasil, com legendas e dublagem no nosso idioma.

Opinião

Eu tenho um carinho bem grande por Dolmen e sinto orgulho de ver o brasileiro Massive Work Studio entregar um projeto tão ambicioso para o mundo. O jogo surpreende com ambientes muito bem desenvolvidos e uma atmosfera latente de mistério e suspense. Ainda assim, essa ambição também cobrou seu preço, pois com um projeto tão grandioso faltou mais polimento para o combate e uma forma mais dinâmica de contar sua história. Eu cheguei no mapa final, mas simplesmente não me senti incentivada a seguir adiante. Pode ser sim um problema comigo, mas eu só posso passar a minha experiência sincera e foi isso que me aconteceu.

Mesmo com seus problemas, Dolmen possui seu brilho, principalmente para os amantes do souls-like e do suspense espacial, mas pelo alto valor cobrado eu recomendaria esperar uma promoção e entrar na experiência ciente dos prós e contras que essa jornada oferece.

Entenda nossas notas

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Plataformas: Xbox One e Xbox Series X|S
Publicado por: Prime Matter
Desenvolvido por: Massive Work Studio
Data de lançamento: 19/05/2022
Opções de compra: Microsoft Store

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About Author

Administradora de Empresas, mas apaixonada pelo mundo dos games e pelo Xbox!Fã da incrível e complexa franquia Halo e de seu icônico líder, o Master Chief. Também apaixonada por Dragon Age e seu universo magnífico. Ahhh e quem disse que Dark Souls não é divertido? :DSempre ligada nas notícias e novidades do lado verde da força!

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