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Análise – Bright Memory: Infinite

Bright Memory: Infinite começou como uma Demo de teste intitulada Bright Memory: Episódio 1 (confira nossa análise) para testar o interesse do público. Como a recepção foi muito positiva, o projeto evoluiu para o que hoje conhecemos como Infinite. O jogo foi desenvolvido por apenas uma pessoa, que é o designer chinês Xiancheng Zeng (FYQD Studio), e chamou bastante a atenção dos jogadores por causa de sua proposta ousada e diferenciada.

Será que essa versão final conseguiu mostrar todo potencial do projeto, ou ele ainda se parece como apenas uma demonstração? Vamos conversar sobre isso durante a análise.

Uma história sem muito sentido

A trama que envolve Bright Memory: Infinite está centralizada no fenômeno estranho de um buraco negro que surgiu nos céus, o qual os cientistas não conseguem encontrar uma explicação sobre o que ele é ou sua causa. No entanto, existe urgência em entender o fenômeno, uma vez que ele está sugando tudo ao seu redor e alterando as condições climáticas. É nesse clima catastrófico que conhecemos Shelia Tan, uma agente da Organização de Pesquisa em Ciências Sobrenaturais (SRO) que parte para o local do acontecimento para tentar descobrir o que está acontecendo.

Além do fenômeno ambiental, ainda existe uma atmosfera sobrenatural rondando esse buraco negro, que parece estar conectado há algum tipo de mistério arcaico de uma civilização bastante antiga. Durante nossa jornada esses dois mundos colidem. Além disso, uma outra organização, bastante armada e perigosa, também está de olho no fenômeno e se coloca em nosso caminho para desvendar esse mistério antes de Shelia.

Uma trama interessante de ficção científica não? O problema é que tudo é jogado de qualquer forma na cara do jogador e nunca conseguimos entender direito o que diabos está acontecendo, pois não existe nem ao menos um vago desenvolvimento.

Você está explorando para saber qual a origem do fenômeno, quando de repente soldados muito bem equipados da outra organização surgem para te eliminar, e mais do nada ainda o buraco negro emite um pulso de energia e os inimigos passam a ser guerreiros de algum tipo de dinastia antiga. Os poucos diálogos não explicam nada, apenas jogam frases sem muita profundidade. Eu já joguei diversos jogos no qual a história não é contada de forma tradicional, mas existem documentos ou falas que te ajudam a montar uma narrativa. É até mesmo difícil entender o motivo pelo qual os soldados e os guerreiros te atacam, pois tudo acontece sem contexto. Em Bright Memory: Infinite não parece haver a mínima preocupação em contar algo que faça o mínimo de sentido, mas apenas fazer com que Shelia avance pelos cenários.

Como o primeiro Bright Memory era um projeto embrionário, essa falta de construção narrativa era até compreensível, mas aqui sendo uma evolução eu esperava algo mais completo e desenvolvido. Quando as coisas começam a fazer um pouco de sentido, boom, o jogo acaba.

Um combate delicioso e viciante

Enquanto o lado narrativo de Bright Memory: Infinite carece de mais profundidade, seu combate nos delicia com movimentos rápidos e muitas possibilidades de se divertir em batalha. O jogo é uma grande mistura de gameplay com armas de fogo e espadas, tudo com uma ação de ritmo muito rápido.

Existem quatro estilos de armas (rifle de assalto, escopeta, pistola e sniper) que além do projétil normal também possuem um tiro especial, que aflige dano massivo nos inimigos. A munição você encontra espalhada pelos cenários. A mecânica de tiro é precisa e responsiva e executada muito bem. O combate corpo a corpo é ainda mais delicioso, nos dando a possibilidade de fatiar nossos inimigos de forma viciante, e ainda refletir projéteis ou aparar golpes para atordoá-los e infligir muito dano, além de quebrar escudos de inimigos mais protegidos. Ainda existe o braço Exo de Shelia que nos permite atrair inimigos manipulando a gravidade ou empurrá-los com pulsos de EMP.

Tanto as armas, quanto o corpo a corpo e o braço Exo, possuem suas árvores de habilidades, para expandir as possibilidades de combate e aumentar o dano desse armamento. Os pontos dessa árvore são ganhos por meio de exploração, através de um colecionável com o nome de Relicário, que fica espalhado pelos ambientes. Como os cenários não são muito grandes e possuem uma estrutura linear, não fica muito difícil de encontrá-los.

Todos esses elementos possibilitam diversas maneiras de aproveitar as batalhas com combos realmente muito divertidos e que nos incentivam a mergulhar na pancadaria. Seja contra soldados futuristas, guerreiros ancestrais ou bosses cheios de mecânicas, sempre é divertido entrar em combate.

Aqui a FYQD Studio acertou em cheio, uma pena que tudo seja tão curtinho. Bright Memory: Infinite pode ser finalizado em cerca de três horas e só tem essa duração aumentada caso o jogador tenha a intenção de completar as Conquistas.

O jogo também possui sequências de plataforma bem básicas, que funcionam bem com as mecânicas de travessia. Ainda existe uma seção de furtividade que me pareceu um tanto quanto deslocada de todo o gameplay, não pareceu muito natural com todo o fluxo de jogabilidade apresentado até ali, ficou mais parecendo como uma forma de estender um pouco mais a duração do título.

Um belíssimo conjunto técnico

Um ponto que chama a atenção em Bright Memory: Infinite, desde sua revelação, é a apresentação gráfica. Xiancheng Zeng usou as ferramentas da Unreal Engine 4 para criar belos cenários. Embora não sejam muito variados, eles são extremamente detalhados e possuem efeitos incríveis. Tudo fica mais impressionante pelo fato de que tudo isso foi criado por apenas uma pessoa.

No Xbox Series X é possível jogar em um modo com 1440p e 120FPS que oferece um desempenho muito bom e fluido, e extremamente estável. Também existe o modo com suporte para Ray Tracing com 60FPS constante e 4K dinâmico que eu também gostei bastante. O modo padrão oferece uma experiência com resolução 4K nativa e 60FPS. Em todos esses modos o Xbox Series X consegue entregar um desempenho realmente muito bom, sendo uma apresentação visual bastante impressionante. Vale mencionar que o Xbox Series S não possui suporte para 120FPS e Ray Tracing.

Os personagens não possuem uma modelagem tão impressionante quanto os cenários, e não entregam animações tão naturais. Como eles não são figuras tão presentes durante a jornada, não é algo que atrapalha tanto. A dublagem deles é ok, nada tão memorável, mas um trabalho decente. Existe áudio em inglês, chinês e japonês, e o que eu mais achei que combinou foi a atuação japonesa, que pareceu se encaixar melhor com toda a proposta. A trilha sonora é bem tímida, e poderia estar mais presente. O jogo possui legendas e interface em português do Brasil.

Apesar de ter desenvolvido seu jogo sozinho, para os recursos de dublagem e trilha sonora, Xiancheng Zeng teve ajuda de artistas para completar e enriquecer seu projeto.

Opinião

Bright Memory: Infinite continua parecendo uma grande Tech Demo estendida, que serve para mostrar todo o potencial de Xiancheng Zeng, que desenvolveu seu jogo sozinho, sendo uma amostra do que ele pode fazer com investimentos mais robustos. A apresentação gráfica impressiona, bem como a jogabilidade que traz um combate rápido e viciante. Infelizmente, não existe uma história elaborada, apesar do plano de fundo bastante promissor, mas que não tem nenhum sentido durante a curta duração do título. Os cenários também são belíssimos apesar de pouco variados.

Existe um grande potencial em Bright Memory: Infinite e eu me diverti bastante durante minhas quase três horas de gameplay, ainda assim, no final ficou um gostinho de que o produto ainda segue sem estar finalizado. Quem sabe o próximo jogo da FYQD Studio finalmente entregue uma proposta mais completa.

Pelo menos o título não possui um valor muito alto, então pode ser apreciado por aqueles que curtem experimentar novos conceitos de gameplay e tecnologia.

Plataformas: Xbox Series X|S
Publicado por: PLAYISM
Desenvolvido por: FYQD-Studio
Data de lançamento: 21/07/2022
Opções de compra: Microsoft Store

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