O terror espacial é um dos gêneros mais fascinantes, capaz de mexer com nossa imaginação devido às infinitas possibilidades do desconhecido. Jogos como Alien: Isolation e Dead Space nos transportam para ambientes claustrofóbicos, repletos de suspense, algo que poucas obras conseguem criar.
Quando conheci Routine, fiquei bastante interessado por causa da atmosfera isolada e repleta de suspense. Será que o jogo consegue trazer algum diferencial? Confira na nossa análise a seguir.
Medo do desconhecido
Routine começa com nosso personagem saindo do quarto em uma estação espacial na Lua, sem entender o que está acontecendo. Conforme exploramos a estação, percebemos que algumas máquinas enlouqueceram e precisamos enfrentar um caminho difícil para desativar os sistemas de segurança. À medida que avançamos para outras áreas da estação lunar, descobrimos que os problemas no local seguiram uma sequência específica de eventos.

O jogo não apresenta uma história clara nas primeiras horas, então é preciso buscar pistas em e-mails, vídeos, documentos e qualquer detalhe que possamos observar. Cada canto da estação revela um pouco mais da trama, que vai sendo descoberta aos poucos. Por mais clichê que a história seja, alguns pontos são bem interessantes e despertam a curiosidade para que o jogador explore cada cantinho.
A história é envolvente e surpreendente, despertando curiosidade até seus momentos finais. A cada capítulo vivemos um pouco mais da história, dando para ligar certos pontos e interpretar o que aconteceu na estação lunar. A quantidade de materiais não é tão grande, então fica bem palpável de buscar conhecimento. Algo que ajuda a não enjoar desse tipo de imersão narrativa.
Em determinados capítulos a história muda de rumo, algo que leva a nossa interpretação para um outro lado, seria uma falha técnica, sabotagem ou algo ainda mais obscuro? Esse tipo de virada de narrativa é muito legal para deixar o jogador preso até os momentos finais.

Ambiente imersivo
Um dos maiores triunfos de Routine é a imersão proporcionada pelo ambiente. Raros foram os jogos em que me senti tão envolvido quanto aqui, muito por conta do esquema de controles e da câmera, que é facilmente uma das melhores em primeira pessoa. Ela oferece uma liberdade incrível para andar na ponta dos pés, espiar pelos cantos das paredes e até observar o chão em locais de difícil acesso, como debaixo de mesas.
Começando pelo HUD, que não possui uma bússola para indicar a direção, nem mostrar o nível de vida, a bateria da arma ou algo parecido. Para saber quanta bateria ainda temos na nossa CAT, que é a arma, basta apertar o botão Y e escolher outros botões para acessar diferentes funções do dispositivo, que exibem a bateria, já que ela não fica visível na tela. Tudo é feito para nos levar para dentro do personagem.

A nossa arma serve tanto para lidar com alguns inimigos, quanto para acionar caixa de fusíveis, painéis e até mesmo ajudar na resolução de quebra-cabeças, com um módulo de luz negra, que pode revelar impressões digitais em teclados por exemplo.
Por mais repetitivos que sejam, os puzzles são guiados por informações espalhadas pelos cenários, seja por meio de textos, áudios ou, principalmente, pela luz negra do CAT, que será de grande ajuda. Essa dinâmica é bem interessante, pois incentiva os jogadores a explorarem o ambiente em busca de pistas.

Lembra que comentei sobre as máquinas que estão com defeito? Um dos maiores problemas que enfrentamos são alguns robôs que atacam qualquer forma de vida na estação lunar. Eles nos caçam sem descanso, mas temos como nos defender: a CAT consegue imobilizar essas ameaças por alguns minutos, e também podemos nos esconder debaixo das mesas, nas esquinas ou simplesmente correr até um lugar seguro. Essa dinâmica de tensão é bem legal, pois por várias vezes tive que correr dos inimigos e ainda resolver um puzzle sem ter tempo nem para respirar.
O jogo possui poucos pontos de saves, que são ativados pela CAT, ao fazer um sincronização com o aparelho para acessar alguns terminais, então caso encontre algum, é melhor salvar o seu progresso.
Os disparos da CAT são recarregados com baterias, que estão espalhadas em grande quantidade pela estação, então não precisa se preocupar com o quesito “munição”.

Som e gráficos
Routine possui uma bela direção de arte, que funciona muito bem em ambientes claustrofóbicos, que são bem variados e cheio de detalhes. A cada nova área explorada, somos introduzidos a uma nova área totalmente diferente, mas com algumas familiaridades tecnológicas. A excelente iluminação também contribui para as sensações que o jogo proporciona, algo que considero muito bom para títulos desse gênero.
O som é bem interessante, pois passa todo aquele sentimento de que estamos isolados, mas no fundo, não estamos sozinhos. O jogo possui legendas em Português do Brasil, algo que ajuda no entendimento da história e de algumas mecânicas.
Opinião
Routine é uma das melhores surpresas dos últimos anos quando se fala em terror espacial. A sensação que provoca vai além do simples medo de algo, é o medo do que ainda não compreendemos.
A história não está mastigada, tampouco mostra o caminho; aqui, tudo faz parte da descoberta. Procure por pistas, assista a vídeos perdidos que vão deixá-lo tenso e angustiado com o que está por vir.
A câmera é uma das melhores que já experimentei em primeira pessoa, pois faz você deixar de sentir que está apenas jogando para realmente viver a experiência. Esse tipo de imersão é fascinante, já que envolve tanto o jogador que até uma simples busca por algo causa tensão, com o constante risco de ser pego.
A resolução de puzzles, por mais que seja repetitiva, instiga o jogador a procurar as pistas para a sua resolução, então isso compensa de certo modo.
Routine é uma agradável surpresa já disponível para os assinantes do Xbox Game Pass Ultimate, capaz de entreter por algumas horas que serão muito satisfatórias.
Publicado por: Raw Fury
Desenvolvido por: Lunar Software
Data de lançamento: 04/12/2025
Opções de compra: Microsoft Store
* O jogo foi cedido gentilmente pela Raw Fury para a realização desta análise.

