O Xbox voltou aos holofotes nesta segunda-feira (22) por um motivo que vai muito além de anúncios de jogos. Em uma mensagem enviada aos funcionários e publicada no Xbox Wire, Matt Booty, presidente de conteúdo e estúdios de jogos da divisão, detalhou mais uma etapa do processo de reestruturação da marca. A iniciativa faz parte do chamado “reset” do Xbox, apresentado anteriormente neste ano, e aponta para uma organização mais enxuta, com menos camadas de gestão e maior integração entre equipes.
Embora a notícia inclua cortes de empregos e mudanças estruturais importantes, a carta também oferece uma visão mais clara sobre o caminho que a Microsoft pretende seguir nos próximos anos. Afinal, a empresa está reorganizando alguns dos seus principais estúdios e franquias para concentrar esforços em projetos considerados estratégicos.
Além disso, o comunicado ajuda a responder uma pergunta que muitos jogadores vêm fazendo desde as aquisições bilionárias realizadas nos últimos anos: como administrar tantos estúdios diferentes sem transformar tudo em um gigantesco menu de configurações impossível de entender?
O que mudou na estrutura do Xbox?
A primeira informação anunciada por Matt Booty envolve a eliminação de 268 cargos distribuídos entre a Halo Studios, outros estúdios internos e áreas centrais de gestão da Xbox Game Studios. Segundo o executivo, as medidas implementadas desde julho, incluindo a venda ou transferência de alguns estúdios, colocam a empresa em aproximadamente três quartos do processo de reestruturação anunciado anteriormente.
Naturalmente, esta é a parte mais difícil da notícia. Reestruturações costumam vir acompanhadas de impactos humanos significativos, e o próprio executivo destacou o trabalho realizado pelos profissionais afetados.
Por outro lado, o foco principal da carta está menos nos cortes e mais na nova organização operacional dos estúdios.
Segundo a Microsoft, o objetivo é fortalecer franquias, reduzir unidades de negócios e aproximar equipes que já trabalham em parceria há anos. Em outras palavras, a empresa quer menos burocracia e mais desenvolvimento de jogos. Pelo menos essa é a proposta.
Activision ganha mais responsabilidades
Uma das mudanças mais surpreendentes envolve a Activision.
A empresa passará a supervisionar também a World’s Edge e a Rare. Entretanto, a novidade que certamente chamará mais atenção dos fãs é outra.
A Activision ficará responsável pelo desenvolvimento do próximo jogo da franquia Halo, liderado por uma equipe criada especificamente para esta missão. A Microsoft ressaltou que esse grupo será separado das equipes responsáveis por Call of Duty, evitando conflitos de prioridades entre duas das maiores marcas do setor.
Enquanto isso, uma equipe menor dentro da Halo Studios continuará oferecendo suporte à comunidade e aos jogos já disponíveis no mercado.
O que isso pode significar para Halo?
Embora a Microsoft não tenha revelado qualquer detalhe sobre o novo projeto, a mudança sugere uma tentativa clara de acelerar o desenvolvimento da franquia.
Nos últimos anos, Halo Infinite enfrentou desafios relacionados ao ritmo de atualizações e à manutenção de conteúdo. Portanto, entregar a responsabilidade da próxima grande produção para uma equipe dedicada pode representar uma nova fase para a série.
Ainda é cedo para concluir se a estratégia dará certo. Contudo, a mensagem indica que a Microsoft entende a importância de Halo como uma das principais marcas do Xbox.
Bethesda amplia sua influência
Outra mudança importante acontece dentro da divisão liderada pela Bethesda.
A empresa agora passa a incluir oficialmente a Obsidian Entertainment em sua estrutura. Ainda assim, a Microsoft fez questão de destacar que a Obsidian continuará trabalhando em seus projetos atuais.
Entre eles está Grounded, que seguirá recebendo atenção da equipe. Além disso, a carta confirma a existência de um novo projeto relacionado à franquia Fallout, desenvolvido em colaboração com a Bethesda Game Studios.
Uma parceria que faz sentido
Se existe uma combinação capaz de despertar o interesse dos fãs de RPG, ela envolve Bethesda e Obsidian trabalhando no mesmo universo.
Afinal, a Obsidian já deixou sua marca em Fallout: New Vegas, considerado por muitos um dos capítulos mais queridos da franquia.
Por enquanto, a Microsoft não apresentou detalhes adicionais. Entretanto, a simples confirmação de uma colaboração já deverá alimentar inúmeras teorias entre os jogadores.
E convenhamos: teorias sobre Fallout costumam sobreviver até mais tempo do que alguns personagens em um terreno baldio nuclear.
King e Microsoft Casual Games unem forças
O segmento mobile também recebeu atenção especial na reestruturação.
Segundo Matt Booty, a King passará a incorporar a Microsoft Casual Games, reunindo duas organizações consideradas líderes globais em jogos casuais e operações live service.
Embora essa mudança possa parecer distante do público tradicional de consoles, ela tem relevância estratégica.
A Microsoft tem ampliado sua presença no mercado mobile desde a aquisição da Activision Blizzard King. Dessa forma, integrar equipes experientes em desenvolvimento casual pode acelerar futuros projetos voltados para smartphones e tablets.
Além disso, o setor móvel continua sendo um dos segmentos mais lucrativos da indústria.
Portanto, seria surpreendente se a Microsoft não aproveitasse essa oportunidade.
Playground Games e Turn 10 viram um único estúdio
Outro anúncio relevante envolve duas equipes extremamente importantes para o ecossistema Xbox.
A Playground Games e a Turn 10 Studios passarão a operar como um único estúdio focado nas franquias Forza e Fable.
Segundo a carta, ambas as equipes colaboram há mais de uma década. Contudo, a nova estrutura formaliza essa parceria dentro de uma organização unificada.
O impacto para Forza e Fable
Na prática, a mudança pode facilitar o compartilhamento de tecnologia, talentos e processos.
A Turn 10 é responsável pela tecnologia que ajudou a impulsionar diversos títulos da franquia Forza. Já a Playground acumulou experiência não apenas com Forza Horizon, mas também com o aguardado reboot de Fable.
Dessa maneira, reunir as duas equipes sob a mesma estrutura parece uma decisão relativamente lógica.
Pelo menos no papel.
Porque, como todo jogador sabe, organizar inventário parece fácil até chegar naquele RPG com 400 itens diferentes.
O que aconteceu com os estúdios que deixaram a Microsoft?
A carta também traz atualizações sobre os estúdios que passaram por processos de desinvestimento.
De acordo com Matt Booty, a Compulsion Games e a Double Fine retornaram ao controle de suas equipes de gestão em agosto, levando consigo suas propriedades intelectuais, catálogos e recursos financeiros para continuidade das operações.
Além disso, a Undead Labs concluiu uma transição semelhante e trabalhará com uma nova publicadora. Mesmo assim, State of Decay 3 continuará previsto para chegar ao Game Pass no lançamento.
Para os fãs da série de sobrevivência zumbi, essa talvez tenha sido uma das melhores notícias do comunicado.
O cenário complicado da Ninja Theory
Nem todas as atualizações foram positivas.
Segundo a carta, duas negociações independentes envolvendo a Ninja Theory não avançaram. Como consequência, a Microsoft iniciará consultas com funcionários sobre uma proposta de encerramento das atividades do estúdio, enquanto continua avaliando alternativas.
É importante destacar que o comunicado não afirma que o fechamento já foi concluído.
A empresa informou apenas que iniciará o processo de consulta relacionado à proposta.
Um momento delicado
A possível perda da Ninja Theory seria significativa.
O estúdio construiu uma reputação respeitada graças a projetos marcantes, especialmente dentro do gênero de ação narrativa.
Por isso, muitos jogadores acompanharão os próximos capítulos dessa história com atenção.
Neste momento, porém, não existem informações adicionais sobre um desfecho definitivo.
E o futuro da Arkane?
A situação da Arkane permanece indefinida.
Segundo Matt Booty, as consultas relacionadas ao estúdio continuam em andamento e devem seguir até o final do ano.
Mais uma vez, a Microsoft não divulgou detalhes complementares.
Portanto, qualquer conclusão além do comunicado oficial seria mera especulação.
O que esperar daqui para frente?
Ao analisar todas as mudanças em conjunto, fica evidente que a Microsoft busca uma operação mais concentrada.
Em vez de administrar dezenas de estruturas independentes, a empresa pretende agrupar estúdios com objetivos semelhantes e reduzir sobreposições.
Consequentemente, franquias consolidadas tendem a receber maior prioridade.
Isso ajuda a explicar o foco em nomes como Halo, Fallout, Forza, Fable e State of Decay 3, marcas que já possuem comunidades estabelecidas e forte reconhecimento global.
Além disso, a estratégia sugere algo que o mercado vem observando há algum tempo: o crescimento desenfreado dos estúdios internos trouxe desafios administrativos consideráveis.
Agora, a Microsoft parece interessada em simplificar a estrutura para acelerar a tomada de decisões.
Naturalmente, ainda existem muitas perguntas sem resposta.
Quando veremos o próximo Halo?
Qual será o novo projeto de Fallout?
Como a integração entre Bethesda e Obsidian funcionará na prática?
E o que acontecerá com Ninja Theory e Arkane?
Por enquanto, ninguém fora da empresa possui essas respostas.
Uma nova fase para o Xbox
A mensagem de Matt Booty deixa claro que a reestruturação ainda não terminou. Entretanto, também mostra que o plano está entrando em uma etapa mais concreta, na qual responsabilidades passam a ser redistribuídas e franquias recebem novas casas dentro da organização.
Ao mesmo tempo, o comunicado reforça que o Xbox pretende continuar investindo em algumas de suas propriedades mais importantes.
Se a estratégia dará resultados, apenas os próximos anos poderão dizer.
Contudo, uma coisa parece certa.
O Xbox que veremos daqui para frente será diferente daquele que existia antes deste processo de reorganização.
E como acontece em qualquer grande reinicialização, resta aos jogadores acompanhar os próximos capítulos, torcendo para que o botão apertado tenha sido “Novo Jogo” e não “Excluir Save”.
Fonte: news.xbox.com
