Quando foi adquirida pela Microsoft, a Ninja Theory despontava por seu belo trabalho narrativo e técnico com o jogo Hellblade, além de outros títulos interessantes em seu catálogo como DmC: Devil May Cry e Enslaved: Odyssey to the West, que demonstravam o potencial do estúdio de entregar belos jogos. Após a aquisição o estúdio investiu bastante na infraestrutura tecnológica para entregar jogos ainda mais realistas, e a apresentação de Hellblade 2 impressionou. Eles também deixaram o público intrigado com Project Mara, mas também fracassaram com Bleeding Edge.

Altos e baixos são normais na vida de qualquer estúdio, mas o grande problema da Ninja Theory é que em 8 anos eles não tiveram sucesso com Bleeding Edge, e simplesmente abandonaram o projeto pouco tempo depois de seu lançamento. Desistiram também do Project Mara e ficaram apenas focados em sua zona de conforto, que é a franquia Hellblade.
No entanto, aqui também tem um problema, o segundo jogo, apesar de eu ter gostado, não traz grandes novidades em relação ao seu antecessor, mostrando apenas muita evolução gráfica. Outro grande problema, é que na ocasião do lançamento de Hellblade 2 eles disseram que o jogo não teria suporte para 60 FPS, pois a visão para o jogo seria algo mais cinematográfico, o que fica mais realista com 30 FPS. No entanto, a visão mudou e quando ele foi lançado no Playstation 5 eles atualizaram o jogo para 60 FPS.

Quando se pensava que eles poderiam estar se aventurando em algo diferente, eles anunciam Senua, novamente se escorando na franquia, porém com um gameplay mais voltado para um action‑adventure, que era tudo o que os jogadores pediam para Hellblade 2. Ou seja, mais um Hellblade, mas com foco maior no combate.

Com toda a restruturação que Asha Sharma está implantando no Xbox, para que a divisão seja lucrativa e saia da bagunça deixada pelos últimos anos da administração de Phil Spencer, que ápesar de sua paixão, tomou diversas decisões que mancharam a marca como a quebra das exclusividades e o foco no péssimo marketing do “Tudo é um Xbox“. Ele também fez muita vista grossa para a demora excessiva dos estúdios de entregarem jogos e fazerem valer a pena o investimento.
A Ninja Theory possui um grande potencial técnico, mas ficou muito confortável em sua zona de conforto e pouca cobrança, o que resultou em poucas entregas e muitos gastos, algo que, claramente, não se encaixa mais na realidade do Xbox. O fechamento ainda não está totalmente decidido, mas a medida que ninguém quis adquirir o estúdio e eles não se encaixam mais na realidade do Xbox, o anúncio é apenas uma questão de tempo.
Dito tudo isto, o fechamento da Ninja Theory era previsível, e tudo por culpa do próprio estúdio.
