Apóa anos apostando em investigações, mistérios e mundos abertos irregulares, a Frogwares resolveu fazer algo inesperado com The Sinking City 2: trocar a lupa por uma espingarda. O resultado é uma sequência mais madura, mais confiante e muito mais assustadora.
Quando o primeiro The Sinking City chegou em 2019, a proposta era fascinante. Um mundo inspirado na obra de H.P. Lovecraft, investigações complexas e uma cidade afogada por horrores cósmicos. No entanto, apesar das boas ideias, o jogo sofria com combate limitado, problemas técnicos e um ritmo inconsistente.
Agora, The Sinking City 2 retorna para corrigir praticamente todas essas falhas. Em vez de insistir no mesmo caminho, a Frogwares decidiu reinventar sua franquia. A investigação continua presente, mas o foco principal agora está no survival horror. E, sinceramente? Foi a melhor decisão possível.
Inspirado em clássicos modernos como Resident Evil 2 Remake, mas mantendo sua identidade lovecraftiana, o jogo entrega uma experiência tensa, envolvente e recheada de momentos memoráveis. É uma continuação que respeita o original, mas não tem medo de mudar.
O que é The Sinking City 2?
- Desenvolvedora: Frogwares
- Publicadora: Frogwares
- Gênero: Survival Horror / Ação / Aventura
- Motor gráfico: Unreal Engine 5
- Modo de jogo: Single-player
- Plataformas: Xbox Series X|S, PlayStation 5 e PC
- Data de lançamento: 18 de agosto de 2026
- Ambientação: Arkham, Massachusetts, década de 1920
A sequência abandona Oakmont, cidade do primeiro jogo, e leva os jogadores para Arkham. Sim, aquela Arkham que qualquer fã de Lovecraft conhece muito bem. Segundo a própria Frogwares, a mudança permitiu criar uma história totalmente independente e mais focada no terror.
Gameplay
Adeus detetive. Olá sobrevivente.
A primeira grande diferença aparece logo nos minutos iniciais.
Enquanto o título original apostava quase tudo na investigação, The Sinking City 2 coloca o horror e a sobrevivência no centro da experiência. A influência de Resident Evil é evidente.
E isso não é uma crítica. Pelo contrário. O combate finalmente funciona.
As armas possuem impacto. Os inimigos são ameaçadores. A movimentação parece moderna. Além disso, a gestão de recursos cria tensão constante. Cada munição conta. Cada item de cura importa.
Geralmente você nunca se sente poderoso. Você apenas se sente menos desesperado. E existe uma diferença enorme entre as duas coisas.
Segundo a Xbox Wire, a equipe abandonou parcialmente o mundo aberto do primeiro jogo para criar áreas mais compactas, detalhadas e cuidadosamente planejadas. Isso permitiu incluir segredos, puzzles e recompensas praticamente em cada local visitado.
Inventário que gera ansiedade
Todo fã de survival horror conhece essa sensação.
Você abre uma caixa. Encontra munição. Mas não tem espaço. Então decide jogar fora um item.
Cinco minutos depois descobre que precisava justamente daquele item. Parabéns. Você acabou de viver a experiência clássica do gênero.
O sistema de inventário de The Sinking City 2 gera exatamente esse tipo de decisão. E funciona muito melhor do que o gerenciamento simplificado visto no jogo anterior.
A escassez de recursos mantém a tensão elevada durante toda a campanha. Isso torna cada confronto mais significativo.
Combate muito mais refinado
Uma das maiores críticas ao primeiro jogo envolvia a sensação das armas.
Os disparos pareciam leves. Os confrontos tornavam-se repetitivos. Agora, felizmente, isso mudou. O arsenal está mais variado. Os tiros têm peso. As criaturas respondem aos impactos.
Além disso, os padrões de ataque dos monstros exigem atenção constante. Você não pode simplesmente correr para frente atirando. Aliás, até pode. Mas provavelmente acabará servindo de almoço para alguma criatura ancestral.
Investigação ainda existe
Quem gostava das mecânicas investigativas pode respirar aliviado.
Elas continuam presentes. No entanto, agora funcionam como conteúdo complementar. A própria Xbox Wire explica que as investigações deixaram de bloquear a progressão principal e passaram a oferecer recompensas, melhorias e informações extras sobre o mundo
Na prática, isso melhora bastante o ritmo da campanha. Você investiga porque quer. Não porque o jogo obriga.
Nível de dificuldade
A dificuldade encontra um ótimo equilíbrio.
Os inimigos causam dano relevante. Recursos são limitados. Entretanto, o jogo raramente parece injusto.
Os desafios surgem da pressão psicológica e da escassez, não de truques baratos. É o tipo de experiência que recompensa observação, planejamento e paciência. Ou seja, exatamente o oposto daquela estratégia brilhante de entrar em uma sala gritando e atirando para todos os lados.
Multiplayer e fator replay
The Sinking City 2 é uma experiência exclusivamente single-player. Não existe multiplayer. Não existe cooperação.
Por outro lado, há incentivos para revisitar áreas, encontrar segredos, concluir investigações opcionais e descobrir elementos adicionais da narrativa.
O fator replay não chega aos níveis de um Resident Evil, mas está acima da média para o gênero. Principalmente para os caçadores de conquistas.
Enredo
Uma nova história em Arkham
A mudança de protagonista foi uma excelente decisão.
Sai Charles Reed. Entra Calvin Rafferty.
Desta vez controlamos um aventureiro ligado ao ocultismo. Após um ritual dar terrivelmente errado, sua companheira Faye Bennett fica presa em um coma sobrenatural.
A missão é encontrar uma forma de salvá-la enquanto Arkham afunda cada vez mais na loucura.
Não apenas a história é independente do primeiro jogo. Portanto, novos jogadores podem entrar sem medo.
Ainda assim, veteranos perceberão diversas conexões com o universo já estabelecido.
Arkham é a verdadeira protagonista
Mais do que Calvin ou Faye, o grande destaque narrativo é Arkham.
A cidade está devastada. Água invade ruas, igrejas, mercados e hospitais. A população praticamente desapareceu. Os poucos sobreviventes parecem estar enlouquecendo.
Ou pior.
Talvez já estejam além da insanidade. O resultado é uma ambientação que transmite desconforto constante. Você sente que algo está errado. Muito errado. E a sensação só aumenta conforme a campanha avança.
Horror lovecraftiano feito corretamente
Muitos jogos usam o nome de Lovecraft como ferramenta de marketing.
Poucos realmente entendem suas ideias. The Sinking City 2 está entre os que entendem. O medo aqui não vem apenas dos monstros. Ele surge do desconhecido. Da sensação de insignificância.
Da ideia de que existem forças tão antigas e tão poderosas que os seres humanos não passam de espectadores. Essa abordagem aparece em praticamente todos os capítulos. E funciona muito bem.
Gráficos
Um salto gigantesco em relação ao original
Não existe outra forma de dizer isso.
A evolução visual é enorme.
Construído na Unreal Engine 5, o jogo apresenta iluminação moderna, reflexos impressionantes, neblina volumétrica e ambientes muito mais detalhados.
O primeiro jogo possuía uma direção artística interessante, mas limitações técnicas evidentes.
Agora, a cidade finalmente transmite toda a grandiosidade e decadência que a proposta sempre mereceu.
Água, neblina e decadência
A água desempenha papel fundamental. E não apenas visualmente. Cada rua inundada reforça a sensação de desastre. A arquitetura dos anos 1920 também impressiona. Prédios abandonados. Hotéis decadentes. Mercados tomados pela podridão. Hospitais que parecem saídos diretamente de um pesadelo.
Tudo contribui para a construção da atmosfera.
Desempenho técnico
Embora não alcance o nível de orçamento de gigantes como Resident Evil ou Alan Wake 2, o resultado é surpreendentemente sólido.
As animações melhoraram bastante. A movimentação dos personagens parece mais natural. Além disso, o trabalho de iluminação ajuda a criar cenas memoráveis. Ainda existem pequenas imperfeições aqui e ali.
Porém, nada próximo dos problemas encontrados no primeiro jogo.
Sons e trilha sonora
O verdadeiro combustível do terror
Se os gráficos impressionam, o áudio é quem realmente vende o medo.
Cada corredor possui ecos perturbadores, estalos gera tensão, ruídos distantes fazem você olhar por cima do ombro. Mesmo sabendo que não existe ninguém atrás de você. Ou pelo menos esperando que não exista.
Trilha sonora minimalista e eficiente
A música raramente tenta chamar atenção.
Ela trabalha de forma sutil. Em vários momentos, o silêncio domina o ambiente. E isso torna os sustos ainda mais eficazes. Quando a trilha finalmente entra em cena, ela amplifica a sensação de perigo.O resultado é excelente.
Dublagem e ambientação
Os diálogos ajudam a construir os personagens. Além disso, os sons ambientais reforçam constantemente o clima opressivo.
Água escorrendo. Madeira rangendo. Criaturas escondidas na escuridão. Tudo parece cuidadosamente elaborado. A imersão é um dos pontos mais fortes da experiência.
Pontos fortes
✅ Atmosfera excepcional
Poucos jogos recentes criam uma ambientação tão opressiva.
✅ Horror lovecraftiano de qualidade
A essência das obras de Lovecraft está presente do início ao fim.
✅ Grande evolução gráfica
A Unreal Engine 5 elevou significativamente a apresentação.
✅ Combate finalmente divertido
As armas possuem impacto e os confrontos funcionam.
✅ Melhor ritmo
A campanha evita os momentos arrastados do primeiro jogo.
✅ Excelente direção artística
Arkham é um espetáculo decadente e perturbador.
Pontos fracos
❌ Menos foco em investigação
Alguns fãs do original podem sentir falta disso.
❌ Estrutura mais linear
A liberdade diminuiu em comparação ao primeiro jogo.
❌ Algumas limitações técnicas ainda aparecem
Apesar do salto visual, não chega ao polimento dos maiores estúdios da indústria.
❌ Certos sustos recorrem a fórmulas conhecidas
Veteranos do gênero reconhecerão algumas inspirações imediatamente.
Vale a pena jogar The Sinking City 2?
Sem dúvida. A Frogwares realizou algo difícil. Ela transformou uma franquia de nicho em um survival horror muito mais acessível sem perder sua identidade.
The Sinking City 2 não tenta competir diretamente com gigantes como Resident Evil ou Silent Hill. Em vez disso, utiliza suas inspirações para criar algo próprio, abraçando o horror cósmico de Lovecraft com mais confiança do que nunca.
Dessa forma a mudança de direção pode incomodar alguns fãs do original. Ainda assim, é impossível negar os resultados.
O combate evoluiu. A ambientação está incrível. Os visuais impressionam.
E a narrativa mantém o jogador interessado até os créditos finais.
Se você gosta de horror psicológico, monstros grotescos, cidades decadentes e da eterna sensação de que algo terrível está prestes a acontecer, The Sinking City 2 merece sua atenção.
E lembre-se: se uma criatura ancestral oferecer um pacto misterioso em troca de conhecimento proibido, talvez seja melhor recusar.
Ou pelo menos salvar o jogo antes.
Edições de The Sinking City 2: qual versão escolher?
Assim como acontece com muitos lançamentos atuais, The Sinking City 2 chegou ao mercado em diferentes edições. A ideia é oferecer opções para perfis variados de jogadores, desde quem busca apenas a experiência principal até os fãs mais dedicados do universo criado pela Frogwares.
Edição Padrão
A Edição Padrão inclui o jogo base completo para Xbox Series X|S, PlayStation 5 ou PC.
Esta é a opção ideal para quem deseja apenas conhecer a história principal e explorar os horrores de Arkham sem conteúdos adicionais.
Conteúdo incluído:
- Jogo completo The Sinking City 2
- Atualizações gratuitas disponibilizadas após o lançamento
Para a maioria dos jogadores, esta versão já oferece dezenas de horas de exploração, combate e terror cósmico.
Deluxe Edition
A Deluxe Edition foi criada para quem pretende mergulhar mais fundo nos mistérios do universo lovecraftiano desenvolvido pela Frogwares.
Além do jogo base, a edição inclui conteúdos digitais extras e benefícios cosméticos.
Conteúdo incluído:
- Jogo completo The Sinking City 2
- 5 trajes adicionais para o protagonista
- Pacote de armas especiais
- Acesso ao conteúdo adicional pós-lançamento
- Livro de arte digital
- Trilha sonora digital oficial
Os trajes possuem visual inspirado em investigadores, cultistas e aventureiros da década de 1920, enquanto algumas armas recebem aparências exclusivas.
Premium Edition
A versão mais completa é a Premium Edition.
Ela reúne todo o conteúdo da Deluxe Edition e adiciona vantagens extras para os maiores fãs da franquia.
Conteúdo incluído:
- Tudo da Deluxe Edition
- Passe de conteúdo futuro (Season Pass)
- Missões adicionais exclusivas
- Pacotes cosméticos extras
- Itens de personalização inéditos
De qualquer modo para quem pretende acompanhar todos os conteúdos lançados após a estreia do jogo, esta é a edição mais indicada.
Opinião
The Sinking City 2 é a sequência que a franquia precisava. Mais focado, mais assustador e muito mais divertido de jogar, ele transforma as boas ideias do original em uma experiência de survival horror verdadeiramente memorável. Seja para os fãs de survival ou de mistérios, consegue agradar ambos. E ainda tem menus e legendas em português, facilitando na imersão para os jogadores.
Publicado por: Frogwares
Desenvolvido por: Frogwares
Data de lançamento: 18/08/2026
Opções de compra: Microsoft Store


