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Quando conheci o projeto da Rebel Wolves, The Blood of Dawnwalker, criado por ex-desenvolvedores da CD Projekt Red (The Witcher 3), fiquei muito animado, já que The Witcher 3 é um dos meus jogos favoritos de todos os tempos. Reviver um mundo medieval denso, que tem o sobrenatural como um de seus pilares, me deixou extremamente empolgado.

Quando tivemos a chance de analisar essa obra, que recebeu críticas extremamente positivas, fiquei curioso para saber se ela é realmente tudo isso ou apenas fruto da empolgação de uma indústria que repete tanto suas fórmulas. Então puxe a cadeira, que vou contar nossa experiência nesse mundo intrigante.

A luz que também caminha pelas trevas

Nossa história começa com o protagonista Coen, que vive com sua família em uma vila explorada pelo vampiro Brencis e seus comparsas. O monstro pune os fracos e usa os fortes para se alimentar e ser cultuado como um deus. A população não aceita o que os vampiros fazem, mas acaba tolerando por medo. Brencis age como um senhor feudal sem qualquer escrúpulo, colocando as pessoas em situações de desespero.

Coisas misteriosas acontecem com Coen, reveladas em sonhos vívidos que antecipam alguns acontecimentos futuros na vida do rapaz. Uma grande tragédia acontece na família de Coen, fazendo com que o garoto tenha que tomar as rédeas da situação, o levando para acontecimentos que vão mudar sua vida para sempre.

Coen é transformando em um vampiro, mas logo vai descobrir que é diferente dos demais, sendo chamado de Dawnwalker, que é um vampiro que pode caminhar na luz, algo que vai dar o que ele precisa para lutar contra essa opressão.

Coen tenta enfrentar Brencis, mas, recém transformado, ainda não tem forças para combater o inimigo, sobrevivendo por um fio. O adversário leva sua família, e você terá 30 dias para salvá-los antes que enfrentem um destino terrível.

A história tem várias ramificações e nada é tão simples quanto parece, especialmente porque há um grupo que se opõe ao reinado de Brencis, mas age à sua própria maneira, despertando desconfiança em Coen.

Coen também terá alguns interesses românticos, levando o jogador a embarcar em jornadas míticas repletas de cenas picantes.

O protagonista tem um crescimento fascinante, desenvolvendo sua maneira de pensar e a forma como é percebido pelo mundo. No início, é um jovem assustado, mas aos poucos se transforma em um vampiro guerreiro, plenamente maduro.

A preciosidade do tempo

Em The Blood of Dawnwalker, temos alguns dias para salvar nossa família, mas o tempo no jogo funciona de forma diferente, sendo tratado como uma unidade de custo. Ele é necessário para completar missões, aprimorar nosso personagem e até mesmo atuar como o próprio tempo, por isso precisamos escolher bem nossas ações. Ficar perambulando à toa pode ser prejudicial, assim como selecionar habilidades que não usaremos, o que pode comprometer nossa build.

Algumas missões possuem custo de tempo diferentes, então determinadas escolhas podem fazer o tempo passar mais rápido, debitando do nosso objetivo principal que é salvar a nossa família.

Esse recurso pode assustar no início, mas oferece ao jogador a chance de administrar melhor sua aventura, dedicando tempo ao que realmente importa e aumentando o fator replay, permitindo que a próxima jogatina seja diferente, com escolhas e caminhos distintos. Algumas missões ocorrem em diferentes momentos do dia, oferecendo a oportunidade de esperar ou se lançar em uma aventura e retornar em outro horário.

O guerreiro, bruxo e o vampiro

The Blood of Dawnwalker é um RPG único e cheio de possibilidades, onde jogamos como humano durante o dia e vampiro à noite, o que altera a dinâmica de várias situações, não apenas do combate. Por exemplo, se você invadir uma localidade como humano, ficará mais vulnerável e fraco, podendo se dar mal contra inimigos mais fortes ou até não conseguir acessar lugares de entrada mais difícil.

Coen é um guerreiro formidável, podendo usar espadas para lutar contra uma boa variedade de inimigos, tendo uma árvore de habilidades separada para uso de espada, com golpes especiais, status de vitalidade, vigor e habilidades ativas e passivas.

Além disso, a esquiva e o parry fazem parte do pacote, sendo elementos essenciais desse estilo de jogabilidade. Uma das coisas mais incríveis presentes no jogo é o direcionamento da defesa, recurso também encontrado em Kingdom Come: Deliverance, que permite realizar parry na direção da espada do oponente, proporcionando embates intensos e empolgantes.

Coen também conta com poderes de bruxaria, que podem ajudar bastante nas quests, permitindo se comunicar com os mortos, abrir portais astrais para enfrentar criaturas de outras dimensões e até usar habilidades ativas e passivas em combate, embora sempre ao custo de sua vida. Alguns desses poderes servem para compensar as fraquezas da forma humana do personagem.

Na forma de bruxo, podemos nos mover rapidamente graças a um poder de supervelocidade, o que ajuda muito na exploração. Coen também pode criar poções pela aba de produção, sendo preciso encontrar livros e receitas que forneçam novas criações.

Quando a noite chega, podemos liberar todos os nossos poderes de vampiro, transformando-nos em lobos para nos movermos mais rápido ou até nos teletransportando para lugares próximos ao nosso campo de visão. Essas habilidades são ótimas para explorar e alcançar locais mais altos com facilidade.

O vampiro é a forma mais forte de Coen, cheia de habilidades ativas e passivas poderosas, como supervelocidade, ataque e defesa aumentadas, além de poder usar as garras como armas. Só que temos um porém, temos uma sede por sangue, que aumenta a cada presa que sucumbimos, então devemos nos alimentar, mas com moderação, para não aumentar ainda mais a necessidade por sangue.

Se estiver com uma sede muito intensa, o jogo pode te obrigar a sucumbir a ela durante um diálogo com uma pessoa importante.

Cada ramo dessas três árvores é alimentado por pontos de habilidade, que podem ser obtidos ao completar missões, enfrentar inimigos ou avançar na história principal. Vale lembrar que esses pontos consomem tempo, então escolha suas habilidades com cuidado.

Um RPG denso e cheio de possibilidades

Em The Blood of Dawnwalker temos um mapa vasto, com muitas florestas, cavernas, rios e vilas. Cada ponto do mapa pode ser explorado livremente, mas ao peso do seu nível estar baixo contra os inimigos da região, então cuide para que esteja apto para o desafio.

Cada canto do mapa pode guardar desafios, além de itens que podemos usar a nosso favor, como armaduras, armas, amuletos e anéis. Também há missões espalhadas por regiões remotas, então vale a pena viver tanto as histórias principais quanto as secundárias. Lembre-se de que o tempo não está a nosso favor.

Há um mapa que pode ser usado para nos guiar e, à medida que lemos documentos ou conversamos com outros personagens, surgem indicações de interesse em determinados locais.

Como mencionei sobre a evolução do personagem, só podemos aprimorá-lo quando estamos em altares espalhados pelo mapa, tanto internos quanto externos. Além disso, é possível usar pontos de viagem rápida entre esses altares. Mas cuidado: Brencis destruiu alguns, que podem ser reconstruídos com um custo de tempo.

Além das missões principais, que contam uma história fascinante, há também missões secundárias com personagens muito importantes, que revelam mais sobre o passado de Coen e do Vale Sangora, além de expandir a lore do jogo. Alguns personagens secundários não servem apenas como apoio para Coen brilhar; eles também têm seus próprios dramas e histórias. Há inclusive escolhas que impactam diretamente a vida desses personagens.

Destrua seus inimigos e salve sua família

Em The Blood of Dawnwalker, o caminho para salvar sua família envolve enfrentar o exército de Brencis, que conta com uma corte leal formada por três generais. Cada chefão comanda seus próprios soldados, além de guerreiros mais poderosos que, em algum momento, podem vir atrás de você.

Além disso, para enfrentar eles, podemos encontrá-los diretamente em determinados locais e momentos ou mitigando a sua influência, através da realização de ações contra o seu exercito. Existem missões secundárias que aumentam a barra de fúria de cada general, abrindo uma missão especial para cada um.

Escolher como devemos enfrentar cada uma dessas ameaças faz parte da nossa missão principal, assim como o custo de tempo de cada uma delas.

Encontrei um desses chefões por acaso, parti para a luta e saí vitorioso, mesmo sem ser tão poderoso. Isso acabou me poupando tempo e me permitindo realizar outras missões. Então esse tipo de experiência é algo incrível e que traz variedade para cada jogada que fazemos.

À medida que derrotamos esses chefes ou cumprimos os objetivos, a barra de infâmia de Coen aumenta, fazendo com que Brencis aperte o cerco, enviando mais soldados ou até fechando as cidades.

Som e gráficos

A Rebel Wolves mandou muito bem na direção de arte de The Blood of Dawnwalker. Mesmo não sendo o auge da geração, o jogo encara de igual para igual os grandes títulos de RPG da indústria. Os personagens são bem modelados e há uma boa variedade de NPCs.

Os poderes vampíricos e de bruxo são um espetáculo à parte, revelando atenção a cada detalhe sombrio. As paisagens também são incríveis, permitindo ao jogador apreciar lugares realmente inesquecíveis.

O som é muito bom e nos envolve em cada ambiente, seja ele místico ou no cotidiano das vilas, que são bem povoadas. O jogo conta com legendas em Português do Brasil, o que facilita a compreensão das mecânicas e da história, mas senti falta de uma boa dublagem.

Opinião

A história de The Blood of Dawnwalker é fascinante, crescendo junto com o personagem, que se aventura em um mundo sobrenatural, brutal e repleto de mistérios a serem desvendados, tudo isso somado à tensão constante da missão principal. Coen é um grande protagonista, cujo crescimento conseguimos acompanhar. No início, ele não está pronto, mas, à medida que a história avança, isso muda de forma incrível e bem fluida. Os outros personagens também são importantes, brilhando cada um de sua maneira. As escolhas morais são pesadas e muitas vezes tentadoras, algo que vai aumentar o fator replay.

O sistema de custo de tempo pode incomodar alguns jogadores, mas foi uma grata surpresa, pois se diferencia dos RPGs do gênero, que sempre repetem as mesmas fórmulas e oferecem muito tempo ocioso ao jogador. Aqui, você realmente valoriza a evolução do personagem e decide quais quests valem a pena ou não.

A direção de arte acertou em cheio ao retratar cada localidade, monstros, personagens e as mudanças de tempo. A trilha sonora também está incrível, dando peso a cada cena. Além disso, o jogo conta com legendas em Português do Brasil, algo essencial para compreender a lore.

O gameplay é incrível, pois mescla combate com espadas, habilidades de bruxo e vampirismo, cada um com suas vantagens e desvantagens.

The Blood of Dawnwalker é um dos melhores RPGs que joguei este ano, marcando o primeiro capítulo de um estúdio que já trabalhou em uma franquia gigante (The Witcher) e enfrentou um enorme desafio: sair da sombra dessa obra — e eles conseguiram.

Plataformas: Xbox Series X|S, PC, Xbox Cloud Gaming e Xbox Portátil
Publicado por: Bandai Namco Entertainment Europe
Desenvolvido por: Rebel Wolves
Data de lançamento: 03/09/2026
Opções de compra: Microsoft Store

*O jogo foi cedido gentilmente pela Bandai Namco para o desenvolvimento dessa análise.

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About Author

Desenvolvedor Web e Analista de TI, gamer assíduo desde a época do Atari, fã de Metal Gear(menos o Phantom Pain) e Gears of War. Ter a oportunidade de trabalhar um pouco com games é um sonho realizado. Falta só ir para E3!!!

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