Quando vi pela primeira vez o anúncio de Gears of War: E-Day, senti uma alegria imensa, pois dois dos meus grandes amigos estavam de volta. Sim, Marcus e Dom retornam ao início de tudo, no lendário “Dia da Emergência“, quando a ameaça Locust colocou em risco um planeta inteiro.
Quando digo que são meus amigos, é porque esse jogo me acompanha desde a era do Xbox 360, quando eu ainda jogava com meu primo no modo cooperativo, naquele tempo que parecia não acabar. Eram horas de diversão tanto no single player quanto no multiplayer, e agora posso reviver tudo isso novamente.
Será que Gears of War: E-Day conseguiu recriar todo aquele sentimento que marcou meu coração com o melhor exclusivo do Xbox? Vamos descobrir em breve.
O Dia da Emergência
Quem conhece Gears sabe da importância do Dia da Emergência na história da franquia, sendo o ponto 0 em relação a guerra contra os Locust. Logicamente, que existem outras coisas em paralelo a esse acontecimento, que foram se desenrolando antes dessa situação.
Imagine que você está comemorando o fim da guerra entre COG e URI, que durou cerca de 80 anos e ficou conhecida como as Guerras do Pêndulo, quando, de repente, sua cidade é atacada de forma bizarra, com criaturas surgindo do subterrâneo e devorando as pessoas.

O desespero se instala diante do desconhecido, que ataca com ferocidade e inteligência. Poucos Gears restam lutando para sobreviver enquanto tentam ajudar a população. Lembro de imaginar como seria esse momento, tanto em Gears quanto em jogos como Resident Evil 3, que transbordam um clima de guerra. Confesso que aqui a situação ficou intensa, com pessoas sendo encurraladas até a morte. Além disso, há prédios desabando, trens despencando em direção aos carros nas ruas, tudo evidenciando que os Locust vieram para exterminar a raça humana. Além da cidade de Kalona, há porta-aviões, aeroportos, usinas e muitas outras coisas que também sofrem com o poder do exército Locust, que destrói tudo por onde passa.

Irmãos até depois do fim
A história de Gears of War: E-Day resgata o sentimento de amizade, honra e família. Quando o ataque tem início, Marcus, Dom e os novatos da franquia, Mags e Lucas, correm para ajudar as pessoas enquanto também enfrentam a invasão dos Locust. Enquanto salvamos as pessoas, o Esquadrão Bravo luta com coragem até quase sucumbir, mas então um aliado conhecido surge para ajudar Marcus, que presenciou de perto a ferocidade do inimigo.
A trama se desenvolve entre o resgate de civis e a exploração, que vai se tornando cada vez mais desafiadora à medida que enfrentamos resistência inimiga. Um detalhe que achei bem interessante no jogo foi a exploração de elementos do passado dos personagens, trabalhados nas HQs, como a menção a Carlos Santiago, irmão mais velho de Dom e melhor amigo de Marcus, algo que conecta profundamente os dois, já que ambos passaram pela perda de um irmão.

Mags Carter e Lucas também têm seus dramas pessoais, que serão bem explorados ao longo da campanha, trazendo mais profundidade aos personagens. Algo que Gears sempre soube fazer é fortalecer as raízes de cada um, fazendo com que o jogador sinta toda a dor que eles estão vivendo.
A medida que avançamos na campanha Marcus e Dom ficam ainda mais próximos, principalmente pelo peso que Marcus carrega em relação ao passado com Carlos e Dom pela preocupação com a sua família, que está longe de Kalona.
Esse peso emocional cresce principalmente da metade para o final, quando as consequências drásticas da invasão Locust ficam evidentes e o fim do mundo se aproxima cada vez mais. Como em todo bom Gears, há várias perdas que vão atingindo o jogador, e no final ainda há uma fala de Marcus que arrepia e emociona, especialmente se você for fã da franquia.

Vraahk o vilão principal do jogo é conhecido pelo apelido de O Empalador, brutal e viciado em caçar Gears, criando diversas situações para que o jogador entenda que está enfrentando um monstro terrível, que gosta de exibir o quanto é cruel. O vilão gosta de empalar suas vítimas para marcar território, além de torturar alguns inimigos com a emulsão, capaz de derreter uma pessoa em poucos segundos.
A cidade de Kalona passa por uma transformação ao longo da história, revelando momentos distintos em alguns locais: no instante da invasão, horas depois e dias mais tarde. Isso mostra o quão destrutiva é essa espécie, transmitindo um profundo sentimento de tristeza e devastação.

A guerra como deve ser
Em Gears of War: E-Day, a guerra contra os Locust é intensa, marcada pela quantidade absurda de armamentos disponíveis. Afinal, o mundo está à beira do colapso, mas ainda não acabou. Resta saber se Kalona, berço do poderio militar, está realmente preparada para o ataque.
A grande diferença em relação ao primeiro Gears of War é que agora temos uma quantidade absurda de inimigos na tela durante as lutas. Sim, já havia vários inimigos nos jogos anteriores, mas agora o combate ficou muito mais intenso, em alguns momentos parecendo realmente enfrentar uma horda. O jogo oferece batalhas em várias camadas graças às novas mecânicas, permitindo que o jogador alcance locais de difícil acesso e, em certos momentos, suba por cordas para pontos ainda mais altos, trazendo mais complexidade aos confrontos.

Em cada canto do mapa, há pessoas ou Gears lutando, balas ricocheteando e bombas explodindo, criando um cenário perfeito de guerra. O uso de cover será ainda mais essencial devido à IA dos inimigos, que está mais insana do que nunca, algo sempre característico dos jogos. A IA dos companheiros também é boa, nos salvando em vários momentos quando o bicho literalmente pega.
O cover característico da franquia evoluiu bastante, oferecendo várias formas de se proteger, como escombros, paredes e todo tipo de objeto que nos salva do fogo cruzado. Mas é preciso atenção: se vacilar, pode acabar exposto quando os inimigos destroem o cover.
A transformação de um colosso
Quando a The Coalition prometeu que praticamente faria Gears of War: E-Day do zero, não estava exagerando. A movimentação dos personagens, o cover, o gunplay, as animações de recarga, o impacto no adversário, as finalizações — tudo foi cuidadosamente trabalhado pelo estúdio, transmitindo aquela sensação de estar jogando algo novo, mas com um toque familiar.

As novas funções de correr, pular, escalar e deslizar atirando são sensacionais, trazendo uma dinâmica incrível para as batalhas. Até o carregamento das armas mudou, passando uma sensação única de desafio para cada uma. Recarregar uma Lancer é bem diferente de recarregar uma Gnasher, por exemplo.
Falando dar armas, cada arma possui um som característico, além de vantagens e desvantagens. Existem algumas armas inéditas, como uma Light Machinegun que dispara vários projéteis, inclusive podendo aumentar o seu pente.
Agora cada arma pode receber upgrades durante a campanha, com caixas espalhadas pela cidade de Kalona, onde podemos aprimorar vários aspectos das armas, além de equipar melhorias na armadura e adicionar um dispositivo que pode ser usado para curar ou emitir uma onda que paralisa os Locust. Essas melhorias são úteis para montar a sua build, que pode ser ajustada conforme enfrentamos momentos de dificuldade contra os inimigos.
Durante nossa exploração em Kalona podemos encontrar caixas com upgrades, além de também serem desbloqueados completando várias missões secundárias, que envolvem salvar pessoas ou Gears espalhados pelo local de guerra.
Gears of War: E-Day combina um mundo semi-aberto com trechos lineares, algo já visto em Gears 5, mas agora em uma escala ainda maior, com várias missões no centro de Kalona, oferecendo uma sensação de liberdade ao explorar e revisitar diferentes locais. Nos trechos lineares, há níveis que permitem abordar o inimigo de diversas formas, seja subindo em pontos estratégicos para um tiro preciso ou avançando diretamente contra ele.
O jogo tem poucos carregamentos, aparecendo apenas quando mudamos de capítulo, algo que achei muito legal, pois não quebra a imersão.
Além de tudo isso, no modo single player é possível jogar toda a campanha em coop online com até quatro jogadores, podendo se divertir com amigos ou entrar em um grupo aleatório para aproveitar a campanha, mostrando em qual capítulo o esquadrão está. Também é possível jogar em tela dividida, mas não tive a chance testar esse modo por falta de oportunidade. Para quem quiser jogar dessa forma, o recurso está disponível.
Inimigos ainda mais ferozes
Gears of War: E-Day trouxe uma reformulação nos inimigos, com designs mais ameaçadores para figuras básicas como Drones, Wretches, Esmagadores e toda a escória já conhecida. Agora há uma boa variedade, que, conforme avançamos em momentos intensos da trama, se transforma em uma verdadeira horda, exigindo atenção redobrada.
Um inimigo em particular me deu muito trabalho: a Matriarca dos Esporos, um balão de carne bem nojento que libera esporos capazes de lançar uma quantidade absurda de espinhos. Isso te deixa em pânico, destrói qualquer cobertura e obriga o jogador a sair completamente da sua zona de conforto.

Os Brumaks também estão bastante presentes, assim como os Corpses, que deixam um rastro de destruição por onde passam, dando ao jogador poucas opções.
Há momentos nos King Ravens em que precisamos enfrentar os Reavers, polvos montados pelos Locust, que atiram projéteis contra os helicópteros e também surgem pelo chão, criando aquela sensação constante de perigo.
O poder da Unreal Engine 5
The Coalition é uma das empresas que melhor aproveita a Unreal Engine 5 nesta geração, entregando gráficos impressionantes e mostrando todo o potencial do Xbox Series X. Isso até levanta a dúvida se já precisamos de uma nova geração, pois tudo o que foi apresentado até agora é simplesmente incrível.
A direção de arte é excepcional, trazendo diferentes fases do mesmo ambiente, mostrando todo o horror causando pelos Locust. Kalona era uma cidade linda e cheia de prosperidade, mas vai caindo em pouco tempo e ficando somente um verdadeiro cemitério.

A performance, mesmo executando tarefas pesadas, não apresentou quedas em nenhum momento, e os personagens mantiveram uma movimentação fluida e sem travamentos.
O som é sensacional, trazendo mixagens de faixas icônicas da franquia e novidades que se encaixam perfeitamente em cada cena, seja de ação ou drama. Gears of War: E-Day conta com legendas em Português do Brasil e uma dublagem de alto nível, com vozes marcantes como as de Maurício Berger (Marcus Fenix) e Roberto Garcia (Dominic Santiago).
Opinião
Gears of War: E-Day é um dos melhores jogos da franquia, retornando às raízes com tudo que sempre sonhamos, trazendo novidades na jogabilidade e reunindo a dupla que conquistou o coração de todos os jogadores: Dom e Marcus.
A história é muito boa e retrata um dos eventos que sempre sonhei em presenciar na franquia: o famoso Dia da Emergência, ponto zero da invasão Locust em Sera. Ver Kalona sucumbir aos poucos à guerra contra os Locust é algo surreal, pois revela o desespero da população e dos Gears que lutam incansavelmente. A sintonia entre Marcus e Dom continua intensa e carregada de emoção, com a presença de Carlos na história — o irmão mais velho de Dom e melhor amigo de Marcus — que, mesmo ausente fisicamente, mantém os dois unidos pela dor. Mags e Lucas são personagens interessantes, com suas próprias histórias e dramas, além de terem arcos bem desenvolvidos e justificados.
As mecânicas de combate melhoraram bastante o gameplay, trazendo elementos para deixar tudo mais dinâmico e dando opções para o jogador, que pode subir ou pular objetos.
Os gráficos são o ponto alto do Xbox nesta geração, mostrando de fato o potencial do console, com efeitos impressionantes e eliminando de vez o estigma de jogos iguais na Unreal Engine 5. O som também é excelente, com um trabalho de dublagem e legendas de qualidade no nosso idioma.
Gears of War: E-Day marca o ponto de virada do Xbox, representando o retorno dos grandes exclusivos da plataforma, que agora vai investir em grandes IPs de sucesso. E Gears é Gears, e sempre será!
Publicado por: Xbox Games Studios
Desenvolvido por: The Coalition
Data de lançamento: 06/10/2026
Opções de compra: Microsoft Store
* O jogo foi cedido gentilmente pela Xbox Brasil para a realização dessa análise.


