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Poucas coisas combinam tão bem quanto uma boa masmorra e uma boa refeição. Felizmente, Deep Dish Dungeon entende isso perfeitamente. O novo jogo da Behold Studios, lançado em 13 de outubro no Xbox Series X|S, Xbox PC e Xbox Game Pass Ultimate, transforma exploração, sobrevivência e culinária em uma aventura curiosa, acessível e cheia de personalidade brasileira. Segundo informações divulgadas pelo Xbox Wire Brasil, o título também chega com suporte a português brasileiro na interface e legendas. 

Além disso, o projeto representa um momento importante para a cena nacional. Afinal, estamos falando de um estúdio veterano, responsável por sucessos independentes como Knights of Pen & Paper e Chroma Squad. Desta vez, porém, a equipe apostou em uma proposta diferente: menos foco em combate frenético e mais espaço para descoberta, sobrevivência e cooperação.

Um jogo que nasceu dentro de outro jogo

A origem de Deep Dish Dungeon é quase uma história de exploração dentro da própria exploração.

Durante entrevista ao Xbox Wire Brasil, Saulo Camarotti, diretor do projeto, revelou que a ideia surgiu enquanto jogava Valheim. Em determinado momento, ele se viu explorando uma masmorra do popular título de sobrevivência e pensou que aquele conceito, sozinho, já renderia um jogo completo. Dois anos depois, a ideia saiu do papel e virou realidade.

O resultado é uma aventura que aposta em uma premissa direta: você entra em uma antiga masmorra em busca de tesouros. Entretanto, não espere um RPG tradicional recheado de níveis, árvores de habilidades gigantescas ou batalhas constantes.

Segundo Saulo Camarotti, a intenção nunca foi criar uma experiência centrada em guerrear. Pelo contrário. O objetivo era colocar o jogador na pele de um explorador.

“Eu queria criar uma experiência sobre explorar uma masmorra como um aventureiro e não como um guerreiro”, explicou o diretor ao Xbox Wire Brasil.

Essa filosofia influencia praticamente todos os sistemas do jogo. Em vez de simplesmente derrotar inimigos e acumular experiência, o jogador precisa observar o ambiente, encontrar recursos, compreender os mistérios do local e sobreviver aos desafios espalhados pelos corredores da dungeon.

Exploração em primeiro lugar

Embora muitos jogos do gênero utilizem mapas gerados proceduralmente, Deep Dish Dungeon segue outro caminho.

A masmorra é fixa e foi construída manualmente pela equipe. Segundo Saulo Camarotti, essa escolha aconteceu para garantir um senso de progressão mais cuidadoso e recompensador.

Na prática, a estrutura lembra bastante os clássicos Metroidvania. Ou seja, determinadas áreas permanecem inacessíveis até que o jogador encontre novas ferramentas ou habilidades.

Ao obter um martelo, por exemplo, torna-se possível destruir obstáculos que antes bloqueavam passagens importantes. Da mesma forma, um gancho permite alcançar locais elevados e descobrir caminhos escondidos. Cada novo equipamento abre oportunidades inéditas de exploração.

Consequentemente, o mundo se torna cada vez mais interconectado. Você frequentemente retorna a regiões já visitadas e encontra segredos que antes passavam despercebidos. É aquele tipo de experiência que recompensa a curiosidade e faz o jogador dizer: “Espera aí, eu já estive aqui… mas essa porta estava fechada.”

Ou talvez ela estivesse aberta e você simplesmente passou correndo. Acontece com os melhores aventureiros.

Sobreviver também significa saber cozinhar

Agora vamos falar da verdadeira estrela da aventura: a comida.

Sim, existe uma razão para a palavra “Dish” estar no título.

Em Deep Dish Dungeon, cozinhar não é apenas uma atividade secundária. Na verdade, trata-se de uma das mecânicas centrais da progressão. Segundo Saulo Camarotti, a comida funciona como preparação para a aventura e não como uma simples forma de recuperação durante o combate.

“Você come antes de se aventurar. Não é depois, para se curar”, explicou o diretor.

Cada ingrediente oferece benefícios específicos. Alguns aumentam a vida máxima, enquanto outros melhoram vigor, velocidade ou atributos relacionados ao combate. Dessa forma, escolher o cardápio correto se torna tão importante quanto selecionar ferramentas ou planejar a próxima expedição.

É uma proposta interessante porque transforma a preparação em parte da estratégia. Antes de entrar em uma área perigosa, vale a pena pensar se você precisa de mais resistência, mais energia ou mais mobilidade.

Uma decisão que, sejamos sinceros, também faria bem em algumas reuniões de segunda-feira.

Um tempero brasileiro na masmorra

Entre todos os aspectos que ajudam Deep Dish Dungeon a se destacar, a brasilidade é certamente um dos mais interessantes.

A Behold Studios incorporou ingredientes e pratos tipicamente brasileiros ao sistema culinário do jogo. Entre os exemplos apresentados estão mandioca, semente de guaraná, pamonha, coxinha, pastel e bolo de fubá.

Mais do que uma simples curiosidade visual, esses elementos ajudam a construir a identidade do mundo.

A mandioca, por exemplo, oferece vantagens para combate corpo a corpo. Já o guaraná contribui para velocidade e vigor.

Enquanto isso, a direção artística utiliza referências inspiradas em elementos amazônicos. Durante a entrevista, Saulo Camarotti revelou que, embora o cenário seja fictício, a equipe imagina internamente que a região tenha inspiração na Amazônia. Essa influência aparece tanto na arquitetura quanto nos recursos espalhados pelo ambiente.

Essa abordagem é especialmente interessante porque evita estereótipos superficiais e integra referências culturais diretamente à jogabilidade.

Em outras palavras, não é apenas uma masmorra com decoração brasileira. É uma masmorra que parece ter sido construída por pessoas que conhecem e valorizam essas referências.

Uma aventura para compartilhar

Embora seja totalmente possível explorar sozinho, Deep Dish Dungeon foi concebido como uma experiência cooperativa desde o início.

O jogo permite partidas solo ou multiplayer online com até três jogadores. Além disso, oferece suporte a cross-play entre Steam e plataformas Xbox. Também conta com Xbox Play Anywhere, permitindo que os usuários aproveitem a mesma progressão em dispositivos compatíveis.

Segundo Saulo Camarotti, construir uma comunidade ativa é fundamental para um jogo desse tipo.

Durante a conversa com o Xbox Wire Brasil, ele destacou que o multiplayer representa um dos pilares da proposta e que a chegada ao Game Pass ajuda diretamente nesse objetivo.

A lógica é simples.

Quanto mais jogadores tiverem acesso ao título desde o lançamento, maiores são as chances de encontrar amigos para explorar os corredores da masmorra. Além disso, o cross-play reduz barreiras entre plataformas, permitindo que grupos joguem juntos independentemente de estarem no Xbox ou no PC.

Para um jogo cooperativo focado em exploração e descoberta, isso faz toda a diferença.

O significado de chegar ao Game Pass

A chegada ao Xbox Game Pass marca um momento especial para a Behold Studios.

Segundo o Xbox Wire Brasil, este é o primeiro jogo do estúdio a integrar o serviço da Microsoft.

Durante a entrevista, Saulo Camarotti comentou o impacto dessa oportunidade para uma desenvolvedora brasileira.

“É muito bom ter essa parceria, e um privilégio pra um desenvolvedor brasileiro estar no Game Pass, e ter esse lugar de destaque”, afirmou o diretor.

A declaração ajuda a contextualizar a importância desse lançamento para a indústria nacional.

Nos últimos anos, o Brasil vem conquistando cada vez mais espaço no mercado mundial de games. Contudo, conseguir destaque em um serviço de alcance global continua sendo uma conquista significativa, especialmente para equipes independentes.

Nesse contexto, Deep Dish Dungeon representa mais um exemplo da capacidade dos estúdios brasileiros de competir internacionalmente com ideias criativas e propostas diferenciadas.

Um projeto enxuto, mas ambicioso

Outro aspecto que chama atenção é a escala de produção.

Segundo o Xbox Wire Brasil, Deep Dish Dungeon foi desenvolvido ao longo de dois anos por apenas duas pessoas. Saulo Camarotti ficou responsável por direção, programação e game design, enquanto Carolina Baumgarten cuidou da arte do projeto.

Esse dado torna o resultado ainda mais impressionante.

Mesmo com uma equipe extremamente reduzida, o jogo reúne exploração não linear, sistemas de sobrevivência, culinária, progressão baseada em ferramentas, multiplayer online e cross-play.

Naturalmente, isso não significa que estamos diante de uma produção gigantesca. Entretanto, demonstra claramente como equipes pequenas podem criar experiências marcantes quando possuem uma visão bem definida.

E, pelo que foi apresentado até agora, visão é algo que não falta à equipe da Behold Studios.

Vale a pena ficar de olho?

Sim! Confira nossa análise do jogo.

Deep Dish Dungeon não tenta competir diretamente com os grandes RPGs de ação do mercado. Em vez disso, aposta em uma identidade própria construída sobre exploração, descoberta e cooperação.

A progressão inspirada em Metroidvanias cria um forte incentivo para investigar cada canto da masmorra. Além disso, o sistema culinário adiciona uma camada estratégica incomum ao gênero. Para completar, as referências brasileiras ajudam o jogo a conquistar personalidade própria.

Da mesma forma, a presença no Xbox Game Pass reduz a barreira de entrada para quem deseja experimentar a aventura.

Se você gosta de desvendar segredos, abrir passagens escondidas, planejar expedições e cozinhar antes da batalha em vez de depois dela, Deep Dish Dungeon merece entrar na sua lista.

Afinal, tesouros são importantes. Mas entrar em uma masmorra com o estômago vazio parece uma ideia bem pior.

Confira o jogo na Loja Microsoft.

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About Author

Aficionado por games, comecei cedo: Intellivision -> MSX -> PC -> Xbox 360 / PS3 / PSP -> Xbox One. Fã de Fallout, Bioshock, Assassin's Creed, Mass Effect, Borderlands, Skyrim, Just Cause, Dead Island, Gears of War, Far Cry, Halo, GTA entre outros. Também aficionado por séries de TV, NFL (GO GIANTS!), NBA (Go Lakers), Futebol (Fluminense).

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