Prince of Persia é uma das minhas franquias preferidas, que desde a era dos bits vem desafiando os jogadores a medida que sempre trouxe um tom mais misterioso. Tivemos ótimos jogos na era Xbox 360, mas posteriormente meio que a franquia ficou esquecida no limbo, assim como outras franquias da Ubisoft.

Tivemos um fio de esperança com Prince of Persia: Sands of Time Remakeque parecia um novo caminho, mas ficou novamente enterrado nas areias do tempo, afinal o jogo passa por um desenvolvimento conturbado e talvez nem veja mais a luz do dia. Eis que o tempo também traz uma grata surpresa, ao anunciar uma nova obra da franquia, chamada de Prince of Persia: The Lost Crown, que é um metroidvania nos moldes dos grandes clássicos da franquia, com uma arte estilizada e em 2.5D, sendo desenvolvido pelo mesmo estúdio de Rayman Legends.

Finalmente tive a grata oportunidade de mergulhar fundo na Pérsia nesse começo de ano. Será que Prince of Persia: The Lost Crown tem o que é necessário para se destacar? Ou a franquia deveria ficar esquecida nas areias do tempo? Descubra em nossa análise a seguir.

Um conto fantástico

Prince of Persia: The Lost Crown possui uma história incrível, reunindo vários elementos fantasiosos, que vão desde reis, deuses e até mesmo soldados lendários. Nossa história começa em uma batalha gigantesca e introduz os Imortais, que são guerreiros com habilidades únicas a serviço da Pérsia. Sargon, nosso herói é um deles, talvez o mais impulsivo e o que tenta se provar mais do que os outros, talvez por ser mais jovem, algo que o colocará em uma posição de crescimento, a famosa  “jornada do herói”.

A história ganha um rumo quando o príncipe da Pérsia é sequestrado, cabendo aos imortais fazer o resgate a mando da Rainha. Mas nem tudo são flores, nem tão pouco é o que parece, e essa jornada fica mais difícil a medida que as intenções vão aparecendo e Sargon precisa lutar contra um inimigo bem complicado.

Por mais que Sargon esteja habituado com alguns elementos fantasiosos da Pérsia, ele não estará preparado para os perigos que uma montanha cheia de criaturas vai proporcionar, além é claro, das armadilhas, algo tradicional da franquia.

A história é uma montanha-russa de emoções, percorrendo toda uma jornada de aprendizado para o nosso herói, que vai lidar com perdas durante sua trajetória, algo que vai mudar sua vida para sempre. Além de Sargon, outros personagens ganham espaço, como os Imortais, que foram muito bem construídos, cada um com sua personalidade.

Prince of Persia: The Lost Crown possui começo, meio e fim, sendo uma história bem fechadinha e bem desenvolvida em mais de 22-25 horas de jogo para as missões principais e com missões secundárias que expandem a mitologia da Pérsia.

Um metroidvania raiz

Os primeiros Prince of Persia nasceram no 2D, principalmente pelas limitações da época, e posteriormente tivemos algo em 3D, com Sands of Time, Warrior Whithin, The Two Thrones que colocaram no mainstream, se tornando uma das franquias mais populares da Ubisoft, perdendo o trono depois para Assassin’s Creed. Ainda tivemos uma nova tentativa com algo mais colorido e de mundo aberto, no Prince of Persia de 2008, mas que não conquistou o público como a saga Sands of Time.

Eu não trataria Prince of Persia: The Lost Crown como uma simples volta as origens, pois a Ubisoft mergulhou fundo em um dos gêneros que ainda está em alta, que é o metroidvania. Sim, esse tipo de jogabilidade combinou e muito com o novo jogo, ao trazer diversos recursos para a exploração do cenário, tudo com muita criatividade e também inspiração no que já existe em outras obras.

Começando pela locomoção dos mapas, que possuem uma verticalidade incrível, que investe pesado nas habilidades do jogador em vencer as armadilhas, algo tradicional da franquia. Também adiciona elementos de metroidvania ao colocar itens em locais inacessíveis no primeiro momento, mas que posteriormente podem ser acessados por diferentes habilidades. Falando nesse tipo de jogabilidade, o jogo possui um recurso que não me recordo ter visto em outros jogos, que é uma foto que podemos tirar nesse local, fixando no mapa para depois podermos voltar, mas esse recurso é limitado.

Sargon encontrará com alguns amigos, inimigos e personagens estranhos pela história, que fornecem missões secundarias ou mesmo podem nos vender melhorias para armas, poções e ainda talismâs que ajudam na hora de passar dos chefes mais insanos.

Prince of Persia: The Lost Crown possui vários pontos para salvar seu progresso, que são as arvores waka waka, que além de servir como checkpoints, são o lugar para equipar os talismãs, que ajudam na hora de vencer aquele chefe poderoso. Além disso, também temos pontos de viagem rápida, mas são mais escassos, forçando o jogador a percorrer maiores distâncias na hora de voltar aos objetivos.

Tempo é poder

Sargon é um imortal como disse anteriormente, ou seja, no começo de nossa aventura ele não é bem um herói tão indefeso, mas um guerreiro em construção. Para lidar com os perigos que teremos que enfrentar, o herói terá espadas poderosas e posteriormente um arco e flecha, assim como outras armas que fazem parte tanto do combate quanto da locomoção.

Prince of Persia: The Lost Crown possui uma boa quantidade de chefes e subchefes, que darão trabalho para o jogador, mas que nos recompensarão com cristais e ainda poderes do tempo, que podem ser usados em ataques, além de ajudar em lugares de difícil acesso e ainda puzzles, que só serão resolvidos com esse tipo de recurso.

Também existem golpes especiais, que gastam energia de Sargon, que em determinado ponto do jogo, podemos escolher até dois poderes com custos de barra diferentes. Esses poderes mudam o rumo das batalhas contra os chefes e ajudam com inimigos mais difíceis.

Som e Gráficos

Prince of Persia: The Lost Crown possui gráficos lindos e 60 FPS mesmo no Xbox Series S. Vi alguns jogadores falando que parece um jogo de celular, e isso não é verdade, pois aqui temos um estilo próprio, que é muito bonito e cheio de cores e possibilidades.

Além disso, o jogo possui diferentes biomas e uma infinidade de inimigos, algo que não deixa o jogador enjoar de sua jornada.

No entanto, nem tudo são flores, em minha jornada tive alguns bugs durante algumas batalhas contra os chefes, mas nada que estrague a experiência, algo que com certeza será corrigido durante o lançamento.

Prince of Persia: The Lost Crown possui legendas em Português do Brasil, mas não dublagem, algo que até poderia ter, principalmente por conta das animações que são espetaculares. O som também é incrível, com uma trilha que traz curiosidade e também passa grandeza quando precisa.

Opinião

Prince of Persia: The Lost Crown já pode se considerar um dos melhores jogos de 2024, mesmo sendo um dos primeiros. Espero que muitos jogadores deem uma chance para um jogo que parece ser simples, mas não é, ele possui muitos recursos de jogabilidade, desafio e também diversão.

Sargon é um personagem muito bem criado, assim como os Imortais, que são cheios de personalidade. A história também é muito bem escrita, tendo começo, meio e fim, sem deixar muitas pontas soltas. As batalhas contra os chefes também são incríveis, lembrando as batalhas dos Souls mais recentes. Inclusive, o jogador terá que montar algumas estratégias para vencer, mas nada muito impossível. As animações andam na mesma qualidade da história, que passam todo o tipo de emoção para o jogador, fazendo com que nós importemos com os personagens. Existem alguns bugs, mas nada que impeça o jogador ou mesmo atrapalhe na jogabilidade, sendo algo bem possível de ser consertado.

Prince of Persia: The Lost Crown é uma aventura inesquecível, sendo um dos melhores metroidvanias que já joguei na vida.

Nossa nota para Prince of Persia: The Lost Crown

Plataformas: Xbox One e Xbox Series X|S
Publicado por: UBISOFT
Desenvolvido por: UBISOFT MONTPELLIER
Data de lançamento: 18/01/2024
Opções de compra: Microsoft Store

*O jogo foi cedido gentilmente pela Ubisoft para a realização desta análise.

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About Author

Desenvolvedor Web e Analista de TI, gamer assíduo desde a época do Atari, fã de Metal Gear(menos o Phantom Pain) e Gears of War. Ter a oportunidade de trabalhar um pouco com games é um sonho realizado. Falta só ir para E3!!!

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