Final Fantasy VII é um dos jogos mais marcantes da minha vida e também de muitos jogadores dos anos 90, que conheceram o poder dos RPGs orientais. Quem não sentiu aquele impacto cultural, acompanhado da trilha sonora majestosa, das magias poderosas, dos summons incríveis e de um vilão que, para mim, é um dos maiores de todos os tempos: SEPHIROTH!

Quando foi anunciado o remake, meu coração até acelerou, mas logo descobrimos que o jogo não chegaria ao Xbox tão cedo, com alguns veículos chegando a afirmar que NUNCA teríamos o jogo, o que era uma grande mentira.

Finalmente tivemos o anúncio de que o jogo chegará ao Xbox, com Final Fantasy VII Remake Intergrade sendo lançado nesta semana. Tive a grande honra de analisar essa obra, que marcou minha infância e também minha vida; afinal, se sou apaixonado por Final Fantasy, é por causa dessa história incrível.

Uma história cheia de camadas

A história de Final Fantasy VII Remake Intergrade começa com muita intensidade, assim como no clássico, mostrando o grupo “terrorista” Avalanche partindo para uma missão com Cloud Strife contratado como mercenário. Depois de vários acontecimentos, concluímos a missão e seguimos para o Setor 7, onde fica o esconderijo da turma e também Tifa, grande amiga de infância de Cloud.

Cloud não demonstra muito afeto pela equipe no início, tentando manter uma postura bem profissional, mas, claro, isso não vai durar. Assim que conhecemos toda a turma, seguimos para mais missões, que incluem explodir os reatores de Mako, a energia vital que pulsa do planeta. Mas nem tudo é tranquilo, e a corporação Shinra, que comanda Midgar, consegue incriminar os heróis, transformando-os nos responsáveis pelo que pode acontecer no futuro: uma guerra.

Cloud completa diversas missões secundárias, além de ter interações com outros personagens como Tifa, que vai viver momentos de muita nostalgia com o protagonista, inclusive com um certo respiro de romance. Já Barret não vai com a cara de Cloud, criando algumas desconfianças.

Em certo ponto da história, Cloud acaba se separando dos integrantes da Avalanche, e acaba conhecendo Aerith, que será outra peça fundamental na história, fazendo com que Cloud quebre esse seu jeito mais soldado de ser.

Cloud possui alguns flashbacks que se misturam com a realidade, mas que no fundo fazem parte das raízes mais profundas do passado do personagem, que se ligam a Sephiroth, o grande herói de guerra, mas que segundo alguns relatos está morto.

Todos os personagens são bem complexos, pois esbanjam emoções na hora de atuar, algo que cria uma ligação com o jogador, então na maioria das vezes, eles possuem traumas que somente serão revelados com muitas horas de jogo. Alguns personagens ganharam mais camadas no remake, especialmente alguns vilões que, por meio de ótimas atuações, transmitiram o peso das escolhas e suas consequências, enquanto outros eram simplesmente malvados.

Mesmo sendo “apenas” a primeira parte de um jogo completo, Intergrade oferece mais de 20 a 30 horas de pura diversão, especialmente graças ao DLC da missão da Yuffie, o Intermission, que trazem 2 capítulos extras. Além disso, o jogo conta com muito conteúdo, incluindo mini games, sidequests e inúmeros colecionáveis.

A história reúne uma mistura de tudo que torna um RPG oriental perfeito, com momentos de ação, emoção, amizade, diversão e muito mistério. Na minha opinião, Final Fantasy VII é o melhor da franquia, pois soube equilibrar esses tipos de experiências, que podem permanecer em nossos corações para sempre.

Midgar, a cidade que pulsa ferro e vida

Um dos locais mais icônicos dos RPGs, Midgar é uma cidade vibrante que reflete os contrastes do nosso mundo, com áreas pobres na parte inferior, áreas ricas situadas mais acima e outros lugares à margem da sociedade, como o mercado murado, que é um local no qual vivem pessoas que gostam de lucrar e também do prazer.

O contraste entre as realidades em Midgar é enorme, criando um paralelo com o nosso mundo, onde a cultura é profundamente impactada, algo que achei extremamente imersivo no remake. Além disso, existem localidades bem estranhas nos confins da cidade, como o esgoto ou mesmo o cemitério de trens, que vão levar o local para um momento bem tenebroso.

Assim como todo bom RPG, temos uma variedade de NPCs que fornecem missões, além de itens, equipamentos e também itens para melhorar nossas habilidades.

O jogo conta com uma ótima variedade de missões secundárias espalhadas por diferentes partes, que realmente se encaixam na história e ainda são muito divertidas. Em comparação com Final Fantasy XVI, essas missões são mais envolventes e menos repetitivas.

Um sistema de combate que se renovou

Final Fantasy VII Remake Intergrade traz um sistema de combate voltado para o Action RPG, algo já comum nos jogos modernos da franquia. Esqueça o RPG por turnos: aqui ainda existe espaço para estratégia e tempo para executar comandos, mas tudo acontece em um ritmo bem mais acelerado.

Cada personagem conta com ataques simples e habilidades especiais, que vão desde combos insanos até tiros poderosos. Em certas batalhas, é possível trocar de personagem com apenas um botão, garantindo combinações cada vez mais impressionantes.

Além disso, eles possuem ataques especiais chamados Limites, que permitem desferir um golpe extremamente poderoso, capaz de mudar o rumo da luta. Outro ponto importante é o uso de magias, que são ativadas quando equipamos itens chamados de Matérias, as quais podem evoluir e se tornar mais poderosas.

Quem não gosta de invocar os summons? Em Final Fantasy VII Remake Intergrade, essas criaturas também marcam presença, podendo ser equipadas como Matérias e ativadas durante as batalhas para liberar ataques especiais poderosos.

Os personagens podem usar equipamentos, que servem para melhorar nossas características, além de usar para equipar as Matérias, então use com sabedoria. Além disso, podemos equipar armas diferentes, que podem causam diferentes danos e ainda possuem ataques próprios, que podem ser aprendidos e usados com outras armas.

Outro ponto importante é que essas armas podem ser aprimoradas usando pontos de habilidade, desbloqueando melhorias passivas para o personagem. Por isso, vale a pena escolher a arma mais adequada para cada situação ou simplesmente a sua favorita. Cada arma possui uma árvore própria com atributos únicos, então é sempre bom conferir qual estilo combina melhor com a sua evolução.

Um dos melhores remakes da indústria

Final Fantasy VII Remake Intergrade é um dos melhores remakes que já experimentei, pois, mesmo sendo um jogo bastante diferente, mantém o respeito pelo legado do material original, valorizando momentos marcantes e toda a estética dessa lenda dos videogames. O trabalho foi tão incrível que, a todo instante, somos tomados por um sentimento de nostalgia, seja em uma batalha estranha contra aquela casa amaldiçoada ou nas cenas icônicas de certos personagens.

Algumas partes como no uso de veículos ficaram ainda mais legais, culminando em momentos de muita diversão e ação.

Os gráficos são insanos, principalmente em áreas menos abertas, pois assim a desenvolvedora deu mais atenção aos detalhes, que dificilmente o material original conseguiu nos mostrar. O som continua espetacular, além de ser muito nostálgico, principalmente para quem ainda tem essa trilha tão especial na mente.

Há alguns bugs que já deveriam ter sido corrigidos, como personagens atravessando uns aos outros ou outros correndo sem propósito. É claro que é um jogo que será lançado no Xbox, mas que já foi disponibilizado anteriormente em outra plataforma, então esses problemas não deveriam mais existir.

O jogo possui legendas em Português do Brasil, mas não uma dublagem, algo que ficaria ainda melhor, mas dá para entender, pois a quantidade de diálogos é bem extensa.

Opinião

Final Fantasy VII Remake Intergrade é uma revitalização de um dos maiores clássicos dos jogos, sendo o melhor de muitas listas de quem realmente cresceu jogando. Então será algo marcante para muitos jogadores e que pode atrair um novo público, principalmente pelas melhorias de jogabilidade, estrutura e também da história.

A história, como sempre, é muito atual, abordando temas como a preservação dos recursos naturais do planeta, algo que conecta diretamente nossas vidas a essa questão. Logicamente, todo o plot que envolve Cloud, Sephiroth e a Shinra é espetacular do começo ao final dessa parte.

O jogo manteve o espírito do original, mas sem deixar de se modernizar, com novos diálogos que fazem total sentido, mesmo após 29 anos, e esse tipo de adequação funcionou muito bem.

Existem alguns bugs, mas nada que incomode, então espero que consertem em algum patch inicial de lançamento. No geral os bugs são mínimos, algo que deixou bem satisfeito.

O combate mais moderno me deixou apreensivo, já que o original sempre foi por turnos, mas as mudanças foram muito bem-vindas, tornando tudo muito mais divertido e sem perder aquela pegada estratégica, algo muito bem executado no gameplay.

A customização de armas e a escolha de Matérias tornam a melhoria dos nossos personagens bem dinâmica, algo que inicialmente pode parecer estranho, mas que logo aprendemos com certa facilidade.

Final Fantasy VII Remake Intergrade é um dos melhores jogos da geração e um verdadeiro alívio vê-lo chegar ao Xbox, especialmente para quem ama esse clássico.

Plataformas: Xbox One, Xbox Series X|S e PC
Publicado por: SQUARE ENIX
Desenvolvido por: SQUARE ENIX
Data de lançamento: 22/01/2026
Opções de compra: Microsoft Store

* O jogo foi cedido gentilmente pela Square Enix para a realização desta análise.

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About Author

Desenvolvedor Web e Analista de TI, gamer assíduo desde a época do Atari, fã de Metal Gear(menos o Phantom Pain) e Gears of War. Ter a oportunidade de trabalhar um pouco com games é um sonho realizado. Falta só ir para E3!!!

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